A pesquisa Delta divulgada nesta quarta-feira coloca Tião Bocalom numa posição aparentemente contraditória: embora lidere com folga o índice de rejeição, o ex-prefeito de Rio Branco poderá se transformar em personagem decisivo num eventual segundo turno entre Alan Rick e Mailza Assis.
Na simulação direta, Alan venceria Mailza por 43,54% a 40,06% se a eleição fosse realizada hoje. A vantagem é de apenas 3,48 pontos percentuais. Brancos e nulos somam 6,06%, enquanto outros 10,34% não souberam ou não responderam. Os dados são da pesquisa do Instituto Delta, encomendada pela TV Gazeta e reproduzida pela A Gazeta do Acre.
É justamente nesse cenário apertado que Bocalom ganha importância. Mantido na terceira colocação no primeiro turno, com 15,01%, ele possui um contingente eleitoral numericamente muito superior à diferença registrada entre Alan e Mailza. Em tese, portanto, uma parcela desses votos seria suficiente para definir o próximo governador do Acre.
Nos bastidores, a pergunta já começa a circular: para qual lado Bocalom caminharia?
Uma declaração pública, uma aliança formal ou mesmo um gesto de aproximação poderia influenciar parte de seus aliados, candidatos proporcionais e eleitores mais identificados com sua administração. Mas ninguém entrega 15% dos votos como se transportasse mercadoria de uma campanha para outra. O eleitor não pertence ao candidato, e a elevada rejeição de Bocalom — 36,18%, a maior entre todos os concorrentes — limita sua capacidade de transferência integral.
Há ainda outro componente: os votos de Bocalom podem se dividir. Parte do eleitorado pode enxergar maior proximidade ideológica com Alan Rick; outra parcela pode acompanhar lideranças locais ligadas ao grupo de Mailza; e alguns eleitores podem optar pela abstenção, pelo voto branco ou nulo. O eventual apoio do ex-prefeito teria peso, mas não funcionaria como cheque em branco.
Por isso, Bocalom poderá ser um fiel da balança sem necessariamente ser o dono da balança. Seus 15,01% o colocam no centro das articulações, mas o resultado dependerá da capacidade de Alan e Mailza conquistarem diretamente esses eleitores.
A pesquisa mostra, sobretudo, que o segundo turno estaria completamente aberto. Alan aparece numericamente à frente, enquanto Mailza reduziu uma diferença que era de 12,12 pontos no levantamento anterior para apenas 3,48. Sem novas alianças contabilizadas e com 10,34% ainda indecisos, qualquer declaração, erro de campanha ou movimento político poderá alterar o desfecho.

