A campanha de Mailza Assis (PP) ao Governo do Acre ganhou um reforço de peso na corrida eleitoral. A família Cameli fechou fileiras em torno da candidatura governista e passou a atuar de maneira ainda mais integrada no interior, fortalecendo também o projeto político liderado por Gladson Cameli, candidato ao Senado. Ou seja, a campanha de Mailza e a candidatura de Gladson caminham cada vez mais juntas. O ex-governador tem se empenhado pessoalmente na consolidação de sua sucessora e trabalhado para transferir à candidata ao governo parte da força política construída por seu grupo ao longo dos últimos anos.
E essa mobilização não estaria restrita ao núcleo mais próximo de Gladson.
Diferentes ramos da família Cameli estão envolvidos na mesma estratégia, especialmente no Juruá e no eixo Envira-Tarauacá, regiões onde o sobrenome mantém forte presença política, empresarial e eleitoral.
Entre os nomes mobilizados aparece o empresário James Cameli, filho do ex-governador Orleir Cameli e um dos principais representantes da nova geração da família. Também estão envolvidos integrantes do grupo ligado a Madson Cameli, marido de Mailza, incluindo o pai, Assem, e os tios Manu e Tião.
Segundo informações obtidas pela reportagem, integrantes da família vêm percorrendo municípios e conversando com lideranças, apoiadores e eleitores numa demonstração de unidade em torno das candidaturas de Mailza e Gladson. Paralelo a isso, a ex-primeira dama Beth Cameli (viúva de Orleir), candidata à Primeira Suplência de Gladson, se empenha em flancos alternativos, emprestando seu perfil humanitário e a festejada proximidade com famílias tradicionais do estado.
A aproximação ganhou contornos ainda mais fortes durante um novenário realizado em Cruzeiro do Sul. O encontro, que reuniu integrantes da família, incluindo o pai de Gladson, teria servido também para consolidar a unidade política do grupo nesta reta da campanha.
Mais do que uma fotografia de família, o movimento tem importância eleitoral.
Os Cameli construíram durante décadas uma das marcas políticas mais conhecidas do Acre, com raízes particularmente fortes no Vale do Juruá. Orleir Cameli chegou ao Governo do Estado, e posteriormente Gladson transformou essa herança política em uma estrutura com alcance estadual.
Agora, essa força entra de maneira mais intensa na campanha de Mailza.
Para aliados, a mobilização pode ser especialmente importante porque acrescenta à estrutura partidária e às alianças da candidata uma rede de lideranças com capacidade de penetração em municípios distantes da capital.
No Juruá e no Vale do Envira-Tarauacá, onde relações políticas tradicionais, lideranças comunitárias e vínculos familiares ainda possuem peso significativo na formação do voto, a presença dos Cameli pode representar um ativo eleitoral imbatível.
A mensagem transmitida pelo grupo é de continuidade e unidade: Gladson busca uma vaga no Senado enquanto trabalha para que Mailza permaneça à frente do Governo do Acre.
Nos bastidores governistas, portanto, a ordem é evitar qualquer divisão. A família Cameli decidiu jogar junta.
E, ao fechar fileiras com Mailza, coloca à disposição da candidata justamente um dos maiores patrimônios políticos construídos pelo grupo: sua força no interior do Acre.
A estratégia transforma Mailza e Gladson em peças do mesmo projeto eleitoral e sinaliza que, nesta reta da campanha, o grupo pretende utilizar toda a sua capilaridade para buscar votos tanto para o Governo quanto para o Senado.
Se a movimentação produzir nas urnas o resultado esperado pelos aliados, o Juruá e o eixo Envira-Tarauacá poderão novamente exercer papel decisivo numa eleição estadual — desta vez ajudando a pavimentar a reeleição de Mailza e a chegada de Gladson Cameli ao Senado.

