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Eleitores alemães foram às urnas neste domingo (20) em duas eleições estaduais que devem aumentar a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz, cujo futuro político está em jogo desde o avanço da extrema direita em outra votação regional neste mês.
As eleições em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, estado majoritariamente rural do antigo leste comunista, e na capital Berlim acontecem após a eleição de 6 de setembro na Saxônia-Anhalt, onde a Alternativa para a Alemanha (AfD) chegou perto de conquistar a rara marca de uma maioria absoluta.
As urnas estavam previstas para fechar às 18h (13h de Brasília), com as primeiras pesquisas de boca de urna esperadas logo depois.
Eleições regionais normalmente não despertariam grande interesse fora da Alemanha, mas o sucesso da AfD na Saxônia-Anhalt, que considera o resultado um primeiro passo para vencer as eleições federais previstas para 2029, provocou repercussão em toda a Europa.
Em pouco mais de uma década, o partido, que defende medidas rigorosas para deportar estrangeiros sem direito de permanecer na Alemanha, retomar relações energéticas com a Rússia e abandonar o euro, passou de um movimento eurocético marginal para o partido mais popular do país.
As pesquisas indicam que a AfD provavelmente não repetirá a vitória da Saxônia-Anhalt em nenhuma das duas eleições deste domingo. Ainda assim, ambas devem evidenciar o avanço conquistado pelo partido nos últimos anos e levantar novas questões sobre a estratégia de “cordão sanitário”, segundo a qual os principais partidos se recusam a formar coalizões com a legenda.
Para Merz, cujos índices de aprovação chegaram a apenas 14%, segundo as pesquisas mais recentes, o resultado é o mais recente de uma série de reveses que levantaram dúvidas dentro de seu partido conservador, a União Democrata-Cristã (CDU), sobre sua capacidade de continuar na liderança.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU pode ter seu pior resultado da história. A pesquisa mais recente do Forschungsgruppe Wahlen, divulgada na sexta-feira, atribuiu apenas 6% ao partido, que corre o risco de não atingir a cláusula de barreira para entrar no parlamento estadual.
Merz enfrenta dificuldades
Eleito no ano passado com a promessa de promover reformas para tirar a economia alemã da estagnação e retomar o crescimento, Merz tem enfrentado dificuldades para conquistar os eleitores. O descontentamento com reformas impopulares nas áreas de previdência, impostos e saúde se soma a uma série de falhas de comunicação.
Por enquanto, as principais lideranças da CDU continuam apoiando Merz, cientes de que substituí-lo — o que, de qualquer forma, seria difícil por razões constitucionais — faria com que seu sucessor enfrentasse os mesmos problemas econômicos profundos.
Mas o descontentamento com o governo dominou as campanhas em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental e Berlim, onde os eleitores têm se concentrado em questões como o aumento dos custos de energia e moradia. Na sexta-feira, Merz apresentou um pacote de medidas para aliviar os gastos dos consumidores, incluindo cortes de impostos sobre gasolina e diesel.
Várias pessoas que foram votar em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental disseram que o custo de vida era uma preocupação importante.
“Aqui em Schwerin, com esses salários, você mal consegue pagar alguma coisa”, disse a eleitora Carlotta Heick à Reuters na capital do estado.
Um homem idoso criticou os gastos com ajuda externa. “Precisamos do nosso dinheiro aqui, para o nosso país, para as crianças e os aposentados”, disse ele, pedindo para não ser identificado.
No estado rural, as pesquisas mostraram que a disputa se estreitou nas últimas semanas, enquanto o Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, concentrou sua campanha na popular governadora estadual Manuela Schwesig. A pesquisa do Wahlen divulgada na sexta-feira mostrou o SPD passando à frente da AfD pela primeira vez em meses.
O levantamento apontou 37% para o SPD, 36% para a AfD, 9% para o partido de esquerda Die Linke e 5% para os Verdes, exatamente no limite para entrar no parlamento. As duas legendas poderiam ser potenciais parceiras de coalizão para Schwesig.
No comício de encerramento da campanha, Schwesig alertou para “nuvens escuras” ao se referir à AfD e classificou o partido como perigoso.
Ao encerrar a campanha da AfD no estado, a líder nacional do partido, Alice Weidel, atacou Merz.
“A partir da próxima semana, o tom do chanceler ficará muito baixo”, disse ela aos apoiadores, afirmando que eles tinham o poder de tirá-lo do cargo na eleição deste domingo.
Em Berlim, a pesquisa do Wahlen mostrou o partido de esquerda Die Linke à frente da CDU, ameaçando o domínio dos conservadores sobre a prefeitura. Mesmo na liberal Berlim, porém, a AfD registrou forte crescimento e passou ao terceiro lugar.
A pesquisa apontou 22% para o Die Linke, 20% para a CDU, 15% para os Verdes e 12% para o SPD. A AfD aparece com 18%, enquanto o partido de esquerda BSW, a única legenda que declarou que poderia trabalhar com a AfD, está pouco
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por yasmincaetano.

