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Papa Leão XIV pede que Igreja Católica admita as próprias falhas

Papa Leão XIV pede que Igreja Católica admita as próprias falhas

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Neste domingo (27), o papa Leão XIV instou a Igreja Católica a admitir suas próprias falhas e a curar “feridas profundas” infligidas em seu próprio seio, poucas horas antes de se encontrar com vítimas de abuso infantil cometido por padres na França.

Dirigindo-se a uma multidão que ocupava um grande campo próximo ao famoso santuário católico de Lourdes, Leão afirmou que a Igreja deve ter coragem de encarar seu passado, embora não tenha feito referência direta aos escândalos de abuso na França que causaram comoção nacional.

“Para curar as feridas profundas, as infidelidades e os erros dolorosos ocorridos em seu interior, devemos nos colocar humildemente sob o olhar purificador do Senhor”, disse o primeiro papa norte-americano a uma multidão estimada em 150 mil pessoas reunidas no local, em um dia de sol.

Leão realiza uma visita de quatro dias e três cidades à França, onde voltou a pedir ao mundo que repense o desenvolvimento da inteligência artificial.

No sábado (26), ele reuniu cerca de 800 mil pessoas para uma missa ao ar livre na Champs-Élysées, em Paris.

Líderes locais da Igreja esperam que ele ajude a restaurar a imagem da instituição após um relatório de 2021 revelar que cerca de 330 mil crianças francesas foram vítimas de abuso por parte de membros do clero e líderes leigos católicos ao longo de sete décadas.

Em uma reunião anterior, realizada a portas fechadas com bispos franceses neste domingo, Leão mencionou diretamente “o flagelo doloroso dos abusos cometidos contra menores por membros do clero”, segundo um texto divulgado pelo Vaticano.

O papa agradeceu aos bispos pelas “medidas corajosas” que, segundo ele, foram adotadas para enfrentar os escândalos, e os incentivou a reforçar as iniciativas de proteção e a “continuar no caminho iniciado, mantendo a máxima vigilância”.

Vítimas estão céticas de que encontro com o papa levará a ações

Leão já havia pedido desculpas diretamente por escândalos de abuso que prejudicaram a credibilidade da Igreja em todo o mundo.

Em uma viagem à Espanha, em junho, ele disse aos bispos locais que eles precisam ouvir os sobreviventes e oferecer-lhes reparações.

O papa deve realizar uma reunião a portas fechadas com sete vítimas francesas de abusos cometidos por membros do clero ainda neste domingo.

Alguns sobreviventes expressaram ceticismo quanto à possibilidade de o encontro resultar em mudanças rápidas por parte da Igreja.

“Sou bastante cética quanto à ideia de que o papa resolverá a questão, pelo menos não imediatamente”, disse à agência de notícias Reuters Michèle Le Reun-Gaigné, copresidente de uma associação de sobreviventes no oeste da França.

“As coisas estão avançando muito lentamente”, afirmou ela. “Isso não vai acontecer da noite para o dia.”

O bispo Pierre-Antoine Bozo, porta-voz dos bispos franceses, disse que o desejo do papa de realizar a reunião “mostra que não podemos ignorar essa questão e que ela deve permanecer sempre entre as nossas preocupações”.

Lourdes ligada a escândalo do Vaticano

O itinerário do papa na França inclui seis eventos em Lourdes, uma cidade situada no sopé dos Pireneus que atrai cerca de 3 milhões de peregrinos por ano para visitar o santuário dedicado à Virgem Maria e as águas de uma fonte a que se atribuem propriedades curativas.

O local também está ligado a um escândalo que tem perseguido o Vaticano nos últimos anos.

A fachada do santuário apresenta uma série de mosaicos do Padre Marko Rupnik, um artista religioso de destaque com vínculos com o Vaticano, que foi acusado de abuso sexual.

Não há registro de que Rupnik — acusado por mais de 20 mulheres — tenha comentado publicamente as acusações.

Cinco de suas supostas vítimas escreveram uma carta aberta ao papa na quinta-feira (24), criticando duramente o processo em curso no Vaticano contra o religioso.

Os mosaicos, que ocupam a altura de vários andares, foram cobertos com grandes lonas de tom amarelo suave para a visita do papa.

Ao chegar para a missa deste domingo, ele percorreu, a bordo do papamóvel aberto, um trajeto próximo à fachada do santuário e aos mosaicos cobertos.

O papa — que na sexta-feira (25) reiterou com firmeza a oposição católica a iniciativas de morte assistida, dois meses após a França instituir o direito legal à morte para pessoas com doenças incuráveis ​​— voltou a mencionar a postura da Igreja em defesa da vida durante sua estadia em Lourdes.

Ele afirmou que a forma como o santuário acolhe peregrinos enfermos, que buscam um milagre em suas águas, contrasta com as “tendências atuais que buscam redefinir o valor da vida humana diante da doença”.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por laurasantana.

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laurasantana

Autor da publicação.