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Quem é o “piloto herói” esfaqueado por colega em voo da Flydubai

Quem é o “piloto herói” esfaqueado por colega em voo da Flydubai

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O piloto indiano que repeliu um ataque violento de seu copiloto e ajudou a impedir uma aparente tentativa de sequestro de um avião da Flydubai — que seguia para Israel com mais de 170 pessoas a bordo — está sendo aclamado como herói.

O comandante Smit Machchhar foi atingido ao tentar conter o agressor, sofrendo ferimentos graves.

Durante a luta, a porta da cabine de comando foi aberta, permitindo que outros passageiros entrassem rapidamente, dominassem o agressor e assumissem o controle da aeronave, que estava a caminho de Tel Aviv.

As ações de Machchhar receberam elogios generalizados de líderes políticos, passageiros que estavam a bordo, pessoas de seu círculo pessoal e até mesmo de desconhecidos que se reuniram em sua cidade natal para celebrar sua bravura.

Kaushik Gandhi, que mora no mesmo prédio que os pais de Machchhar, disse à CNN que o piloto estava sempre sorridente e feliz, um verdadeiro “cavalheiro”.

Ele descreveu Machchhar como alguém de “primeira classe” e disse que ele sempre cumprimentava a todos quando visitava o local.

“Toda a nossa Índia deveria se orgulhar… ele elevou o nome da Índia em todo o mundo”, disse Gandhi à CNN, acrescentando que estava “batendo no peito” de orgulho.

Uma multidão de apoiadores também se reuniu em Ghatkopar East, bairro da zona leste de Mumbai onde mora a família de Machchhar.

Eles agitavam bandeiras da Índia e fotos do piloto herói.

“É um momento muito precioso e de orgulho para um país como o nosso, considerando todas as dificuldades pelas quais passamos”, disse à CNN Rahul Pandey, uma das pessoas presentes no local.

Piloto da Flydubai Smit Machchhar, da Índia, foi identificado como o piloto esfaqueado no voo que ia para Israel • Smit Machchhar/LinkedIn

“Smit Machchhar é uma pessoa talentosa, de fala mansa, bom coração e índole gentil”, disse Jinat Shah, que foi vizinho dele em Mumbai antes de o piloto se mudar para Dubai. “Ele é uma pessoa incrível, e torço por sua rápida recuperação”, disse Shah à agência de notícias indiana ANI.

Passageiros que estavam a bordo do voo FZ1073 descreveram os momentos de caos em que a aeronave despencou cerca de 5.300 metros em menos de 120 segundos.

Um deles disse à CNN: “Eu tinha certeza de que ia morrer”.

No entanto, após o agressor ser contido, o voo foi desviado para a Arábia Saudita, onde a aeronave pousou em segurança, pilotada por dois pilotos que estavam de folga e viajavam como passageiros.

Machchhar, que segundo relatos é um homem de 39 anos e pai de dois filhos, ficou gravemente ferido no ataque.

Imagens mostravam uma cena chocante a bordo após o ataque, com sangue respingado pela cabine de comando e o piloto, gravemente ferido, caído no chão — seu rosto, marcado pela dor, estava parcialmente coberto por uma máscara.

Machchhar sofreu uma “perda massiva de sangue” e ficou “gravemente ferido”, disse à CNN o dentista Shota Musaev, passageiro do voo que ajudou a socorrê-lo.

“Acredito que, se tivéssemos esperado apenas mais alguns instantes, o teríamos perdido; sua pressão arterial havia despencado, ele perdeu a consciência repentinamente e havia sangue por toda parte”, disse ele.

Sua bravura “conseguiu evitar um desastre como o do 11 de Setembro”, afirmou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, à CNN.

Machchhar está recebendo atendimento médico em um hospital na Arábia Saudita, segundo a embaixada da Índia em Riad, e seu estado é estável.

Parag Shah, que representa Ghatkopar East — subúrbio da zona leste de Mumbai de onde Machchhar é originário —, disse à CNN que o piloto estava “fora de perigo” após passar por uma cirurgia na quarta-feira (30), citando informações de familiares.

Celebrado como herói

Nascido em uma família do ramo têxtil, tornar-se piloto não era o “sonho de infância” de Machchhar, disse ele ao podcast “Bona-Fide Banter” em 2025.

Inicialmente, ele havia se matriculado em um curso de engenharia têxtil após concluir o ensino médio.

“Concluí o curso todo; como eu ainda era jovem, queria estudar um pouco mais”, disse ele.

Depois de decidir seguir a carreira de piloto, o treinamento o levou à Nova Zelândia — para onde foi aos 19 anos, aproximadamente —, instalando-se na cidade de Dunedin, no sul do país.

“Ele sempre foi um jovem alegre e muito dedicado”, disse à CNN Philip Kean, seu instrutor na época.

Em uma foto de grupo daquela época compartilhada por Kean, é fácil identificar Machchhar. “Ele certamente tem um sorriso muito próprio… é um sujeito extremamente alegre”, disse Kean, CEO da Mainland Air em Dunedin.

Antes de ingressar na Flydubai, Machchhar passou 11 anos na companhia aérea indiana SpiceJet, chegando ao cargo de Comandante Sênior, segundo seu perfil no LinkedIn.

Antes do incidente de quarta-feira, uma das situações mais incomuns que ele havia enfrentado em seus mais de 15 anos de voo foi o nascimento de um bebê a bordo.

Uma passageira, que não estava no final da gestação, começou a sentir contrações de parto, contou Machchhar ao podcast “Bona-Fide Banter”. “Em cerca de 7 a 10 minutos, ela disse: ‘Capitão, a situação está evoluindo para um parto’.”

Machchhar relatou que ele e o copiloto começaram a verificar os aeródromos mais próximos e as condições para realizar um pouso seguro. “Tanto a mãe quanto o bebê estavam bem”, acrescentou.

Ao acompanhar as notícias sobre as ações heroicas de Machchhar no voo da Flydubai, vindo da Nova Zelândia, seu antigo instrutor, Kean, não poupou elogios ao jovem a quem havia ensinado.

“Foi um feito incrível”, disse ele à CNN.

“Um avião inteiro de pessoas poderia ter sido dizimado em questão de segundos e, felizmente, conseguiram abrir a porta… felizmente, ele conseguiu se segurar e salvar a situação. Mais meio minuto e tudo teria acabado.”

“Estou muito orgulhoso”, disse ele. “Estou muito orgulhoso de como ele lidou com a situação… É ótimo o desfecho que tudo teve.”

Machchhar tornou-se um herói nacional para duas nações: Israel, de onde vinha a maioria dos passageiros, e seu próprio país de origem, a Índia.

“O piloto de Mumbai que se revelou um herói”, escreveu o “Times of India”.

“Espectadores, se 166 israelenses voltarem para casa hoje à noite sem um arranhão sequer, tudo se deve à bravura de um único indiano: o capitão Smit Machchhar”, disse um apresentador da CNN News-18 durante seu programa no horário nobre.

Ao falar, no ano passado, em um podcast, sobre como se sentia sendo piloto, a resposta de Machchhar foi simples: “Abençoado”.

Esse conteúdo foi publicado originalmente emVer original 


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por laurasantana.

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laurasantana

Autor da publicação.