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Wall Street questiona plano de financiamento da Nvidia para IA

Wall Street questiona plano de financiamento da Nvidia para IA

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O gigantesco plano de financiamento da Nvidia abriu um debate em Wall Street sobre o valor de seus chips avançados e da infraestrutura que os suporta. A resposta para bancos e investidores parece ser: não tanto quanto a Nvidia pensa.

Alguns credores exigem garantias maiores do que as inicialmente estipuladas pela empresa, enquanto tentam calcular por quanto tempo a receita dos chips irá durar, disseram fontes bancárias e gerentes de crédito à Reuters, alguns solicitando anonimato.

Os chips, que fornecem o poder de processamento crítico conhecido como “computação”, estão no centro de uma possível divergência de opiniões entre a Nvidia e uma Wall Street mais cautelosa. Isso aumenta as chances de futuras dores de cabeça com o financiamento para empresas de IA que buscam acessar novas e amplas fontes de capital.

Os banqueiros e gestores de ativos disseram ter algumas dúvidas de que os chips possam servir como garantia de longo prazo, como afirma a Nvidia, e, portanto, querem mais garantias da empresa para seu plano de financiamento de US$ 500 bilhões, que depende de empréstimos lastreados em chips.

Fontes disseram à Reuters que os negócios em andamento provavelmente já oferecem aos investidores mais segurança, incluindo garantias mais robustas.

“Wall Street é muito mais conservadora”, disse Tony Trzcinka, gestor sênior de portfólio da Impax Asset Management, sobre a afirmação da Nvidia de que seus chips mais especializados podem gerar receita por uma década.

Em comunicado, um porta-voz da Nvidia afirmou que “seu poder computacional de IA é um ativo produtivo, durável e fungível que pode viabilizar financiamento a longo prazo. Nossos parceiros financeiros avaliam cada oportunidade de forma independente, incluindo compromissos com clientes, fluxo de caixa esperado e valor residual”.

“As estruturas de financiamento irão variar à medida que este mercado se desenvolve”, acrescentou o porta-voz.

Questionamentos sobre o plano da Nvidia

As dúvidas sobre o plano de financiamento da Nvidia surgem em um momento em que empresas e investidores estão injetando centenas de bilhões de dólares em data centers, chips e capacidade de energia para sustentar o amplo crescimento da IA, que impulsiona o crescimento econômico dos EUA.

Isso aumentou o escrutínio sobre os negócios mais complexos e as suposições sobre o valor de longo prazo do hardware de computação.

Alguns questionaram o uso de crédito privado, financiamento de fornecedores e acordos circulares, sendo que os dois últimos desempenharam um papel importante durante o boom e a crise das empresas de internet há mais de 25 anos, disseram analistas da Morningstar em uma nota recente.

O plano da Nvidia, anunciado em agosto com investidores como Blackstone, Apollo e KKR, previa o uso de chips como garantia, com aval limitado, para permitir que desenvolvedores de IA tivessem acesso facilitado ao poder computacional da empresa.

A estratégia era vista como uma forma cara, porém necessária, de criar um mercado de financiamento semelhante ao utilizado no leasing de aeronaves.

A Nvidia afirmou que alguns dos contratos podem ter uma garantia de valor residual de no máximo 25%, e a iniciativa foi concebida para abordar preocupações relacionadas ao financiamento circular.

Isso foi visto como oferecendo menos suporte do que outros acordos recentes de financiamento de IA, aumentando as expectativas em Wall Street de que a Nvidia precisaria ser mais criativa.

Três fontes bancárias, familiarizadas com o assunto, mas que não faziam parte do grupo de financiamento original, disseram que a Nvidia pode precisar oferecer garantias em todos os seus negócios, ou que eles podem ter que ser respaldados por um fluxo de receita de clientes com grau de investimento, como uma empresa de tecnologia, para cobrir a dívida.

Eles disseram que, por enquanto, o mercado não está pronto para tratar a capacidade computacional da fabricante de chips como um ativo digno de investimento, semelhante a aeronaves.

Investidores querem mais certeza

A Nvidia está buscando amenizar essas preocupações, acrescentaram as fontes, fornecendo detalhes que não haviam sido divulgados anteriormente.

Uma fonte afirmou que dezenas de bilhões de dólares em empréstimos em fase de negociação provavelmente terão garantias e contratos robustos. Uma segunda fonte disse que algumas estruturas em estudo podem oferecer garantias aos credores.

Esses acordos iniciais darão aos desenvolvedores de IA acesso ao poder computacional da empresa, e são protegidos pelos próprios chips da Nvidia, além de serem respaldados por contratos com os clientes e pela garantia da Nvidia, disse a primeira fonte.

Apesar das preocupações com as garantias, a procura por financiamento para esses negócios continua elevada, disseram as fontes.

O porta-voz da Nvidia não respondeu diretamente às perguntas da Reuters sobre possíveis ampliações das garantias.

O CEO Jensen Huang afirmou que seu objetivo era transformar a capacidade computacional da Nvidia em “um ativo de infraestrutura viável para investimento”, em oposição ao sistema típico de clientes que compram contratos de assinatura para empresas de IA a fim de obter acesso ao poder computacional.

Huang disse, em uma postagem de blog em agosto, que a iniciativa de US$ 500 bilhões foi concebida para abordar preocupações sobre financiamento circular, ou seja, quando uma empresa ajuda a financiar a compra de seus próprios produtos.

Ela traz capital institucional independente para o mercado de infraestrutura de IA, enquanto os parceiros financeiros da Nvidia captam recursos de investidores para apoiar empréstimos, afirmou ele.

Uma terceira fonte bancária disse que se espera que credores e capital privado desempenhem um papel nesse financiamento.

Cinco dos seis parceiros financeiros da empresa se recusaram a comentar para esta matéria, enquanto a Apollo não respondeu ao pedido de comentário.

Vida útil dos chips

O CEO respondeu ao ceticismo da indústria ao afirmar na publicação que as unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia — chips especializados cuja capacidade de computação é usada para treinar e executar modelos de IA — têm uma vida útil de até uma década.

Alguns investidores de crédito e banqueiros preveem uma vida útil mais modesta para os chips que geram receita.

“A Nvidia está sugerindo que as GPUs funcionam bem por mais de cinco anos, e isso de fato se provou verdadeiro até o momento”, disse Andrew Chang, diretor da S&P Global Ratings. No entanto, “adotamos uma visão conservadora do valor desses chips”, afirmou.

A primeira fonte bancária afirmou que parte da divergência de opiniões com a empresa reside no fato de ainda não haver dados históricos suficientes para que os credores possam avaliar com segurança o valor residual a longo prazo com base em GPUs.

“Normalmente, os bancos financiam GPUs com base em um cronograma de depreciação de 3 a 4 anos”, disse Trzcinka, da Impax.

“Isso é diferente da Nvidia, que argumenta que as GPUs de ponta podem gerar receita por uma década”, disse ele, acrescentando que os investidores provavelmente buscarão taxas de juros mais altas, maiores reservas financeiras e proteções de pagamento mais robustas antes de apoiar empréstimos garantidos por chips de IA.

“Como investidores, vocês serão muito mais seletivos em relação aos níveis de compensação que precisam receber para assumir riscos adicionais”, disse Loren Moran, gestor de portfólio de renda fixa da Wellington Management, com US$ 1,3 trilhão em ativos sob gestão.

A Nvidia citou diversos estudos de terceiros que mostraram que as principais empresas de nuvem estão estendendo os períodos de depreciação de servidores de três a quatro para cinco ou seis anos.

O estudo também mencionou uma descoberta da Barkr, uma empresa que fornece avaliações de ativos de IA, como GPUs, de que os sistemas GB300 NVL72 mais recentes da empresa podem ter uma vida útil de 9 a 10 anos.

Empréstimos garantidos por chips

Algumas empresas testaram o mercado com empréstimos lastreados em chips. Mas, ao contrário do caso da Nvidia, esses acordos foram garantidos pela receita de uma empresa de tecnologia para suportar os pagamentos da dívida.

A CoreWeave, na qual a Nvidia detém participação, concluiu uma operação de financiamento de US$ 8,5 bilhões, a primeira com grau de investimento e lastreada em GPUs, no início deste ano. O empréstimo recebeu a classificação A3, principalmente porque os credores confiam nos pagamentos contratuais da Meta, que são considerados altamente confiáveis.

Em outra frente, a Broadcom, concorrente da Nvidia que está ajudando a financiar a capacidade de computação de IA da Anthropic, garantiu mais de 80% de uma estrutura de financiamento de US$ 35 bilhões, contribuindo para atrair investidores de dívida.

Segundo a S&P e a Moody’s, a própria Nvidia já havia fornecido uma garantia de valor residual para apoiar o financiamento do projeto de data center da SB Energy em Ohio.

“As transações precedentes até o momento sugerem que a comunidade de credores não acredita em uma longa vida média para esses ativos”, disse Brian Gelfand, co-chefe de crédito global da TCW, que administra mais de US$ 200 bilhões.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por vitoriagomez.

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vitoriagomez

Autor da publicação.