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O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, afirmou em entrevista à CNN que expôs seus pontos de vista ao presidente americano, Donald Trump, durante encontros nos quais ele defendeu ideias como a extinção do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega), por exemplo.
Segundo o prefeito, apesar das diferenças com Trump, o amor pela cidade de Nova York os une.
“Quando o presidente e eu conversamos, falamos sobre a cidade. Em meio a todas as nossas divergências, há uma coisa que ambos amamos: a cidade de Nova York”, relatou.
“Nessas conversas, sou honesto quanto ao fato de que, no que diz respeito à imigração, vejo o que o ICE faz e enxergo crueldade, vejo falta de humanidade. Por isso, pedi a abolição do ICE; disse isso diretamente ao presidente e também diretamente aos americanos”, afirmou o prefeito, que é um usuário frequente das redes sociais e busca, por meio delas, manter contato com a população.
Uma de suas ferramentas, voltada para a comunidade latina, é o “El Chisme Oficial de NYC”, um canal de WhatsApp lançado pela Prefeitura em julho para divulgar notícias, recursos, alertas e informações sobre serviços públicos para os nova-iorquinos de língua espanhola.
Reuniões com Trump e as operações do ICE
Desde que Trump iniciou seu segundo mandato presidencial em janeiro de 2025, ele fez da imigração uma de suas prioridades. Para isso, seu governo encarregou o ICE de realizar grandes operações que resultem em deportações em massa — uma política que gerou medo entre os imigrantes e críticas de organizações de direitos humanos, que apontam possíveis abusos. Tanto Trump quanto o ICE e outras autoridades federais de alto escalão rejeitam essas críticas, argumentando que a agência busca apenas fazer cumprir a lei.
Em meio a essa discussão e a apenas um mês das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, Mamdani defendeu seu ponto de vista.
“Serei sempre honesto com o presidente, e acredito que essa é uma parte fundamental da conversa: poder compartilhar como me sinto e como a cidade se sente. Já disse isso também: o ICE não serve aos interesses da segurança pública; na verdade, faz com que as pessoas se sintam menos seguras em nossa cidade, pois não sabem se serão perseguidas por uma agência federal de imigração que tem muito pouco respeito pela lei”, afirmou.
Mamdani também destacou que, nas reuniões que teve com Trump, chegou a apresentar casos “de nova-iorquinos que foram detidos injustamente pelo ICE” e que o presidente demonstrou disposição para analisá-los.
“Na última reunião que tivemos na Casa Branca, cerca de 30 minutos depois, ele me ligou e disse: ‘Vamos libertar uma das pessoas que você mencionou’”, relatou o prefeito. “Se uma reunião pode fazer a diferença entre a detenção e a dignidade, faça a reunião, apresente seus argumentos e tente fazer com que os nova-iorquinos voltem para casa”, acrescentou.
Latinos, desigualdade e as próximas eleições
Mamdani completará 35 anos em 18 de outubro. Ele tem origem ugandense, cresceu na África do Sul e sua família se estabeleceu em Nova York quando ele ainda era criança. Morou em diferentes bairros da cidade e, antes de assumir o cargo atual, foi deputado estadual.
Na entrevista, ele considerou que compartilhar raízes nova-iorquinas com Trump é um fator que o ajudou a estabelecer pontes de diálogo com ele, apesar das profundas diferenças políticas entre ambos e do fato de Trump tê-lo chamado, inclusive, de “comunista lunático”.
“Não sei se é que eu entendo o presidente. Tenho a coisa mais poderosa que alguém poderia ter em relação a Donald Trump, que é a cidade de Nova York. É algo que ambos compartilhamos; temos isso em comum”, disse. “Há poucas coisas mais ‘Nova York’ do que trocar insultos e continuar sendo da mesma cidade”, brincou.
Mamdani argumentou que, para ele, o socialismo implica combater as desigualdades; por isso, sua atuação em Nova York tem impulsionado medidas como o congelamento dos preços dos aluguéis de moradias.
“De muitos latinos de Nova York que ajudam a fazer a cidade funcionar, o que também ouvi é que, não importa o quanto trabalhem duro, sentem que não conseguem prosperar, não conseguem superar a distância entre a realidade e o seu sonho”, disse.
“Socialismo, se me pedirem para defini-lo, é a crença de que todos deveriam ter o que precisam para levar uma vida digna”, insistiu.
Com vistas às eleições de 3 de novembro, avaliou que um desafio para os democratas é deixar de apenas se opor às ideias dos republicanos para apresentar aos eleitores “uma visão” de futuro.
“Não podemos nos dar ao luxo de simplesmente voltar ao que era antes desta administração”, disse.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por lucasoliveira.

