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É comum EUA fecharem embaixada antes de eleições tensas, dizem analistas

Planalto soube com antecedência de fechamento de embaixada dos EUA

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Os Estados Unidos suspenderam nesta sexta-feira (2) os atendimentos presenciais na Embaixada e nos Consulados dos Estados Unidos no Brasil e os funcionários receberam a orientação para trabalhar em home office.

A decisão teria sido motivada por uma ameaça na internet de um ataque terrorista às instalações.

Segundo o analista de Internacional da CNN Brasil, Lourival Sant’Anna, eleições podem levar as embaixadas a acionar protocolos de segurança, especialmente diante de um cenário de tensão.

“É uma eleição que para os padrões de embaixadas, como a dos EUA, ela acaba acionando um protocolo de segurança, porque existe uma certa tensão”, afirmou Lourival.

“Vamos lembrar que em janeiro de 2023 houve contestação do resultado, houve muita violência em Brasília, depois da posse do presidente Lula, também esse episódio da suspeita de uma mochila que teria explosivos, esse ambiente no qual o governo brasileiro acusa o governo americano de tentativa de intromissão, de interferência nas eleições, e acaba gerando um ambiente que pode potencialmente levar a ações violentas contra os Estados Unidos”, acrescentou.

O analista também explicou que o alerta feito pela Austrália e pelo Reino Unido está relacionado ao compartilhamento de informações de inteligência entre os países.

“O contexto no qual a Austrália entrou também e o Reino Unido fazendo um alerta aos seus cidadãos é porque eles pertencem à comunidade de compartilhamento de informações de inteligência chamada de Cinco Olhos, que reúne Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e Canadá. Então, portanto, eles compartilham essas informações e, portanto, também essas preocupações”.

A analista de internacional da CNN Brasil, Fernanda Magnotta, reforça que o fechamento de embaixadas e consulados é comum antes de eleições, principalmente em sociedades polarizadas.

“Em outubro de 2020, os Estados Unidos suspenderam temporariamente serviços consulares em suas representações na Turquia. Naquele caso, a própria comunicação informava ter recebido relatos considerados críveis sobre possíveis atentados e sequestros contra cidadãos norte-americanos e outros estrangeiros, inclusive com referência ao consulado em Istambul”, disse ela.

O ex-embaixador dos Brasil nos Estados Unidos, Rubens Barbosa, disse à CNN Brasil não acreditar que há a possibilidade de uma intervenção direta do governo americano aqui no Brasil.

“Um resultado muito apertado e que, se um dos candidatos perder e questionar o resultado da eleição, a lisura da eleição, a transparência da apuração, isso sim pode suscitar uma interferência mais forte do governo americano, sobretudo se o caso for do Bolsonaro. Mas eu não acredito que haja nenhuma intervenção militar, alguma intervenção aqui no Brasil. O que pode haver são ameaças de sanções, de coerção, mas nada mais grave do que isso”, afirmou.

Lourival afirmou ainda que, segundo sua apuração, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) não identificou indícios de uma ação no campo da segurança cibernética relacionada às instalações americanas.

“A nossa apuração, a minha apuração é a de que a Abin não tem nenhum indício de tentativa de ação no campo da segurança cibernética, como a gente já trouxe a informação aqui, ela apenas observa esses eventos públicos que eu mencionei, essas posturas políticas, políticas econômicas, de coerção econômica adotadas pelos Estados Unidos”, concluiu o analista.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por mariabaccarin.

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mariabaccarin

Autor da publicação.