Compartilhar matéria
O Secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que espera ver “como as coisas se desenrolam” na disputa pela Presidência da República no Brasil, entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ao ser perguntado sobre sua reação às eleições no Brasil, ele afirmou que “todos esperavam” por um segundo turno, e que os Estados Unidos acompanham os resultados da eleição marcada para o dia 25 de outubro.
Rubio, que é descendente de imigrantes cubanos, é um dos nomes mais envolvidos na ampliação da influência norte-americana na América Latina na gestão de Donald Trump.
O presidente Lula já afirmou estar “muito preocupado” com possível interferência do secretário nas eleições do Brasil, durante entrevista à Christiane Amanpour, âncora da CNN.
“Já há indícios de interferência de inteligência artificial; eu estou muito preocupado com o Marco Rubio, porque o Marco Rubio é muito ligado ao pessoal do bolsonarismo, mas, por enquanto, é só suspeita. Mas se também se meter…”, comentou ele às vésperas da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em setembro.
Rubio mira na América Latina
Marco Rubio já realizou ao menos cinco viagens a países do continente e do Caribe no cargo – a última delas em setembro – além de liderar a iniciativa do Escudo das Américas, coalizão contra o narcotráfico que une os EUA a países ideologicamente aliados ao governo Trump.
A aliança, chamada oficialmente de “Coalizão das Américas contra os Cartéis”, começou com 12 países membros, como Argentina, Bolívia e El Salvador, em março deste ano, e já alcançou 19 integrantes.
A iniciativa é usada para reforçar a narrativa sobre segurança na fronteira sul dos EUA, incluindo o combate à imigração ilegal.
Além das operações coordenadas, três países já concordaram em permitir a entrada de tropas americanas em seus territórios: Colômbia, Equador e Paraguai.
Rubio também está à frente das negociações com a Venezuela depois da captura e prisão do ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro.
Ele foi responsável por delinear o plano dos americanos para Caracas, que inclui três fases: estabilização, recuperação e transição.
O secretário de Estado também lidera as ações em relação à Cuba.
Um bloqueio de petróleo imposto pelos Estados Unidos e implementado no início deste ano colocou a ilha sob forte pressão, enquanto enfrenta escassez de combustível e apagões agravados pela deterioração da infraestrutura.
Ele afirmou na segunda-feira (28) que Washington espera que o governo da ilha “escolha um caminho diferente” e alertou que aqueles que acreditam que podem esperar o fim do governo do presidente Donald Trump “aprenderão a lição da maneira mais difícil” se não mudarem de rumo.
O governo já declarou anteriormente que seu objetivo é mudar o regime comunista cubano.
Trump “de olho” nas eleições
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (1°) antes do primeiro turno que a eleição no Brasil é “muito importante” e que acompanha o pleito de perto.
A fala do líder americano foi breve, sem citar candidatos ou outros pontos da disputa presidencial brasileira.
Em entrevista à Priscila Yazbek, correspondente da CNN Brasil, o governo dos Estados Unidos negou interferência nas eleições brasileiras.
A porta-voz do Departamento de Estado americano Amanda Roberson garantiu que influenciar votações em outros países não faz parte da estratégia do país.
“Nos Estados Unidos, estamos focados nas nossas prioridades. Como falou o presidente Trump, estamos focados na segurança, na prosperidade, na paz. Trabalhando assim dentro de outros países sobre eleições não é parte da nossa estratégia”, afirmou.
Ela havia declarado que a Casa Branca acompanha a disputa presidencial, mas reconhecem que o Brasil é um país soberano e que defendiam um pleito livre.
Após o primeiro turno, Trump apenas elogiou a rapidez da apuração das urnas em sua rede social Truth Social, mas não parabenizou nenhum candidato.
“125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial do Brasil. Os resultados saíram logo após o encerramento da votação, NO MESMO DIA!”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social nesta segunda-feira (5).
Na sequência, o presidente americano comparou a apuração brasileira com a dos Estados Unidos e fez críticas ao processo eleitoral americano.
“Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e inúmeras outras cidades e estados dos EUA, os resultados, com números muito menores, muitas vezes levam semanas para serem manipulados, quer dizer, calculados. A votação nos Estados Unidos é CORRUPTA!!!”, afirmou.
O presidente americano terá sua própria popularidade testada nas urnas em 3 de novembro, quando os Estados Unidos realizam as Eleições de Meio de Mandato para montar o Congresso.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por yasmincaetano.

