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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) admite que a possibilidade de uma virada no segundo turno passa necessariamente por uma redução da abstenção — em especial no Nordeste. O primeiro turno de 2026 registrou recorde de eleitores que não votaram. O percentual chegou a 21,08%, o maior desde 1998.
O PT (Partido dos Trabalhadores) vê um espaço limitado para atrair votos de presidenciáveis derrotados e traça estratégias para engajar parte dos 33,4 milhões de brasileiros que não foram às urnas.
Uma das principais estratégias será reforçar o “discurso do medo”. A campanha apontará uma suposta “ameaça” que Flávio Bolsonaro (PL) representa à soberania nacional e a programas sociais.
Também de olho no Nordeste, uma das primeiras decisões de Lula para o segundo turno foi a de reforçar a equipe de campanha com candidatos mais bem votados da região.
Os governadores reeleitos na Bahia e no Piauí, Jerônimo Rodrigues (4,6 milhões de votos), e Rafael Fonteles (2,8 milhões de votos), respectivamente, terão espaço na campanha e devem indicar membros de suas equipes a Lula.
Também serão incorporados Rui Costa (4,3 milhões de votos) e Jaques Wagner (3,9 milhões de votos), vitoriosos na disputa ao Senado pela Bahia. Camilo Santana, que no primeiro turno esteve focado na reeleição de Elmano de Freitas no Ceará, voltará atenções para a disputa presidencial, de acordo com fontes.
Encontro com parlamentares
Na quarta-feira (7), Lula segue em sua bateria de reuniões e encontrará os parlamentares mais bem votados da esquerda para tratar de comunicação digital.
Estarão presentes Erika Hilton (PSOL-SP), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Ana Elisa (PT-MG). A última, aos 21 anos, foi a petista mais bem votada para o Legislativo no país e a segunda candidata mais votada de Minas Gerais, com 524 mil votos.
O encontro acontece após Ana Elisa tecer críticas à estratégia de comunicação digital do presidente para o primeiro turno das eleições. Nas redes sociais, ela cobrou a mudança na atuação e linguagem do petista nas redes e afirmou que uma nova postura será decisiva para o enfrentamento de Flávio Bolsonaro e a redução da abstenção.
Segundo interlocutores, a equipe de comunicação de Lula também sinalizou interesse em conversar com a deputada. No Instagram, rede em que ela acumula mais de dois milhões de seguidores, Ana publicou um vídeo em que aponta falhas do candidato em transmitir digitalmente os programas realizados pelo governo.
“Eu não tô dizendo que comício na rua e ir pra rua não é importante. Eu estou te falando que se você não tiver presença nas redes sociais, o mundo pode estar ótimo, a economia pode estar ótima, o poder de compra pode estar ótimo. Mas se tiver alguém aqui na rede social falando que o mundo está uma b0sta, as pessoas vão acreditar”, disse.
“Gostaria de deixar realmente um apelo pra toda a esquerda. É o momento de nós deixarmos realmente a ignorância de lado, calçarmos a sandália da humildade e entendermos que com a rede social a gente precisa sim aprender. Não é que não é importante ter comícios na rua, não é importante ir pra rua, não é isso”, defendeu.
Na publicação, Ana ainda pede que a campanha incorpore a juventude e afirma que “o campo progressista perde muito quando tenta descredibilizar a juventude”.
TópicosEleições 2026Luiz Inácio Lula da Silva (Lula)
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por helenaprestes.

