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A Natura publicou nesta terça-feira (6/10) seu primeiro Relatório de IFRS (Informações Financeiras Relacionadas à Sustentabilidade), onde calcula em cerca de R$ 584,2 milhões a receita líquida de 2025 ligada a produtos que dependem de três bioingredientes amazônicos considerados os mais vulneráveis a eventos climáticos: castanha-do-pará, cupuaçu e murumuru.
Para reduzir esse risco, a empresa mantém uma equipe dedicada à gestão da cadeia de sociobiodiversidade, monitora os períodos de colheita para antecipar escassez ou excedente e trabalha com horizonte de planejamento de 18 meses para ingredientes estratégicos.
Além disso, a Natura remunera os serviços ambientais das comunidades fornecedoras e financia a conservação e a regeneração da floresta por meio do Mecanismo Amazônia Viva.
Insumos agrícolas
No campo, o relatório aponta que a exposição vem das commodities. A compra de insumos como óleo de palma, etanol de cana e papel somou R$ 1,74 bilhão em 2025, o equivalente a 24% do custo de produção da empresa.
Para reduzir o risco de desabastecimento e de oscilação de preços causados por secas severas, a Natura já destinou R$ 21,3 milhões a (SAF) sistemas agroflorestais de dendê e macaúba, descritos como mais resilientes ao clima e com menor pegada de carbono.
Desse total, R$ 6 milhões foram investidos em 2025.
Fábricas, plástico e seguros
O relatório estima ainda que ondas de calor e tempestades extremas podem custar de R$ 45,5 milhões a R$ 53,5 milhões em margem bruta, caso nenhuma medida preventiva seja adotada no curto prazo.
A companhia contratou R$ 6,08 bilhões em cobertura de seguros para instalações, estoques e equipamentos.
Já as novas regras de reciclagem e logística reversa na América Latina podem gerar, no médio prazo, impacto indireto de R$ 26,4 milhões a R$ 101,4 milhões nos custos, risco que a empresa informa mitigar com ecodesign de embalagens e programas de circularidade.
Emissões e remuneração
Em 2025 a Natura investiu R$ 13,7 milhões em projetos de descarbonização e reduziu em 49% as emissões absolutas dos escopos 1 (produção direta) e 2 (energia comprada) em relação a 2020.
O percentual supera a meta de 42% para 2030, aprovada pela SBTi (Science Based Targets initiative) no contexto do grupo. Na cadeia estendida (escopo 3), a queda acumulada é de cerca de 40% nas frentes prioritárias.
No ano, 84% das vendas vieram de produtos com atributos sustentáveis, classificados internamente como receita verde, e 70% de linhas de baixo carbono.
Segundo Silvia Vilas Boas, diretora financeira da Natura, a publicação do relatório demonstra como a transição climática afeta decisões financeiras no presente, como a alocação de capital e a estruturação de instrumentos financeiros.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por lucianafranco.

