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A Porsche transformou o Cayenne em um SUV elétrico sem abandonar uma das principais características do modelo: o comportamento dinâmico. Muitos puristas podem torcer o nariz, mas é bom lembrar: desde que surgiu, o carro gerou polêmica, pois foi o primeiro SUV da marca, conhecida pelos esportivos. Com o passar dos anos, virou um dos maiores sucessos comerciais da empresa.
Na quarta geração, o modelo chega ao Brasil em três versões e duas carrocerias, SUV e Coupe. O Cayenne Electric desenvolve 442 cv e 835 Nm, enquanto o Cayenne S Electric entrega 544 cv e pode alcançar 666 cv e 1.080 Nm com overboost. No topo está o Cayenne Turbo Electric, com 857 cv e até 1.156 cv em condições específicas. Nesse caso, o torque chega a 1.500 Nm.
Durante a avaliação realizada no autódromo Velo Città, em Mogi Guaçu (SP) e numa viagem a Águas de Lindoia, foi possível conduzir diferentes configurações do Cayenne Electric em pista, estrada e trecho off-road. A experiência mostrou que a eletrificação não eliminou a proposta esportiva do utilitário.
No Cayenne S Electric, utilizado principalmente em vias públicas, a resposta do acelerador é imediata. O conjunto permite acelerações fortes sem comprometer a possibilidade de condução mais tranquila. A direção mantém característica direta e há boa estabilidade em curvas, embora o deslocamento de massa seja perceptível em mudanças mais rápidas de trajetória.
A suspensão também contribui para equilibrar conforto e controle da carroceria. Na configuração equipada com Porsche Active Ride, o sistema atua para reduzir movimentos de inclinação e mergulho durante acelerações, frenagens e curvas.
De volta à pista, pude experimentar tanto eles como a versão “de entrada” num longo teste drive. Chego à conclusão que o carro consegue, sim, transferir o desempenho esperado por um modelo da Porsche.
Também na pista fechada, o Cayenne Turbo Electric mostra uma característica diferente. Os 1.156 cv com overboost permitem acelerar de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e atingir 200 km/h em 7,4 segundos. O carro literalmente joga o motorista e passageiros contra o banco de maneira absurda, digna de carro de corrida. A distribuição de torque entre os eixos e a vetorização ajudam a controlar as reações do SUV durante a condução esportiva.
Mesmo as versões menos potentes conseguem acompanhar o ritmo em curvas. A principal diferença aparece nas retas, nas quais o Turbo utiliza sua enorme reserva de potência para abrir distância. “Turbo” num carro elétrico? É que para a Porsche, o nome significa a versão mais nervosa de um dos seus modelos e a alcunha é usada também nos modelos EVs. Tanto que ele ostenta o logotipo todo escurecido, digno dessas configurações.
O Cayenne Electric também foi submetido a um trecho de terra com lama, subidas, descidas e obstáculos de diferentes níveis. Nesse ambiente, a potência máxima deixa de ser o principal fator e ganha importância a capacidade de distribuir torque entre as rodas.
A tração integral elétrica, associada aos modos específicos de condução, permite controlar a entrega de força com precisão. Câmeras com visão 360 graus auxiliam na identificação de obstáculos e no posicionamento do veículo. O controle de descida também reduz a necessidade de intervenções do motorista em trechos inclinados. Mesmo em condições de baixa aderência, o SUV conseguiu superar os obstáculos sem exigir técnicas complexas de condução.
Estrutura elétrica e autonomia
A bateria de 113 kWh integra a estrutura do veículo e utiliza células desenvolvidas com a LG e módulos produzidos pela própria Porsche. A arquitetura elétrica de 800V permite carregamento de até 390 kW, com possibilidade de recuperar de 10% a 80% da carga em menos de 16 minutos em condições adequadas.
A autonomia oficial varia de 481 a 493 km, conforme a versão, segundo os números de homologação citados para o mercado brasileiro. O sistema Charging Planner utiliza dados de pontos de recarga para calcular paradas e também prepara a bateria termicamente antes da chegada ao carregador.
Com o Cayenne Electric, a Porsche amplia sua estratégia de eletrificação sem abandonar a configuração de SUV esportivo. E, segundo a marca, a oferta do Cayenne com motor a combustão continuará por pelo menos mais uma década, mantendo duas propostas diferentes dentro da mesma família. Além disso, é esperado o lançamento nos próximos anos de novas configurações da quarta geração incluindo modelos híbridos.
*Thiago Ventura viajou a convite da Porsche
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por thiagoventura.

