Márcio Canella, deputado estadual eleito pelo União Brasil e ex-prefeito de Belford Roxo, foi preso nesta quinta-feira (15) na Operação Unha e Carne 8, deflagrada pela Polícia Federal (PF). O delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil, também foi preso.
As prisões desta quinta foram determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e são um desdobramento da 6ª etapa da Unha e Carne, realizada em julho.
A proximidade entre Canella e Flávio Bolsonaro não se restringia a encontros políticos. Em abril, o presidenciável declarou publicamente seu apoio integral à pré-candidatura do ex-prefeito ao Senado, referindo-se a ele como “meu grande amigo”. O vínculo também alcançou a própria família Bolsonaro: Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, havia sido indicada para ocupar a primeira suplência na chapa de Canella
A prisão colocou sob atenção pública as alianças construídas pelo presidenciável no Rio de Janeiro, especialmente diante das investigações envolvendo integrantes de seu círculo político.
O caso, entretanto, teve uma reviravolta judicial importante. Em 10 de julho, Moraes concedeu liberdade provisória a Canella. No dia 24, o ministro revogou as medidas cautelares e determinou a retirada da tornozeleira eletrônica, considerando que os elementos apresentados não permitiam concluir pela ocorrência do crime de porte ilegal de arma de fogo
A investigação sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro é distinta da questão envolvendo o armamento. Também não há, nas fontes consultadas, comprovação de participação de Flávio Bolsonaro nos crimes investigados.
O episódio evidencia a dimensão da aliança política entre Flávio e Canella e coloca em discussão os critérios de escolha dos aliados que integram os palanques eleitorais.

