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Por que seu cérebro volta à Pré-História todas as noites enquanto você dorme, segundo este filósofo

Por que seu cérebro volta à Pré-História todas as noites enquanto você dorme, segundo este filósofo

Durante o sono, a mente humana reduz temporariamente a capacidade da memória e adota um padrão de raciocínio equivalente ao dos seres humanos pré-históricos. A tese foi formulada pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche no livro Humano, Demasiado Humano, publicado em 1878.

Segundo a análise do autor, a atividade onírica não representa um fenômeno místico, mas um estado de regressão cognitiva no qual o cérebro relaxa das exigências lógicas do estado desperto e busca explicações imediatas e fantasiosas para sensações corporais.

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O mecanismo das hipóteses rápidas e a falha na memória

A principal função cerebral afetada pelo sono é a memória. Durante a noite, a capacidade de associação lógica opera de forma imperfeita, de modo semelhante à conduta intelectual observada nos primórdios da cultura.

Nesse estado, o cérebro tenta interpretar os estímulos físicos percebidos pelo corpo adormecido — como alterações na digestão, a posição dos membros ou a pressão de cobertores — criando imagens visuais para justificar essas percepções.

Nietzsche exemplifica o processo com o caso de uma pessoa que dorme com os pés amarrados e sonha que duas serpentes envolvem seus membros. Para o filósofo, o cérebro adota a primeira hipótese que surge para explicar o desconforto e a aceita como realidade absoluta.

Essa tendência de deduzir causas arbitrárias a partir de efeitos físicos imediatos constituía o modo padrão de pensamento da humanidade primitiva durante a vigília.

O sonho como descanso para a razão moderna

A aceitação irrestrita dessas ideias fantasiosas ocorre porque o pensamento lógico e a investigação rigorosa de causa e efeito são desenvolvimentos tardios na história humana.

Durante a rotina diária, a mente precisa atender a critérios severos de coerência impostos pela cultura. No entanto, ao dormir, a estrutura psíquica retorna ao modo mecânico ancestral de explicação rápida e simplificada.

Nesse sentido, o ato de sonhar atua como um mecanismo de repouso cerebral. A mente suspende o ceticismo diário e se permite utilizar formas primitivas de inferência sem a necessidade de verificação empírica.

A origem da mitologia e dos conceitos metafísicos

Além de explicar o funcionamento individual da mente no sono, o autor associou a lógica dos sonhos à formação das primeiras construções culturais e religiosas. Nas épocas primordiais, a vivência onírica era interpretada como o acesso a um segundo mundo real.

A incapacidade de distinguir a alucinação noturna da realidade gerou a divisão do universo entre corpo e alma, fundamentando a crença em espíritos e divindades. Assim, ao sonhar, o indivíduo moderno repete o exercício cognitivo que deu origem às mitologias antigas.

TópicosFilosofiaSonhos


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por robertosouza.

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robertosouza

Autor da publicação.

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