Ler um livro escrito em outra língua é uma tarefa que, atualmente, pode ser realizada com o auxílio de tradutores online e do conhecimento compartilhado por outras pessoas. No entanto, um manuscrito produzido entre os séculos XV e XVI, redigido em uma língua desconhecida e de autoria incerta, representa um desafio que ainda intriga estudiosos até os dias de hoje.
Desgastado, amarelado e em estado frágil, o chamado Manuscrito Voynich encontra-se atualmente guardado no porão da Biblioteca de Livros Raros e Manuscritos Beinecke da Universidade de Yale. Desde que veio à tona há mais de 100 anos, muitos tentaram, sem sucesso, decifrar o texto – desde criptógrafos do Exército dos EUA até cidadãos comuns que formulam teorias online.
Seu autor e título original são desconhecidos, e o livro recebeu o nome do colecionador e livreiro Wilfrid Voynich, que o adquiriu em 1912. Alguns acreditam que o documento possa ter sido escrito por Leonardo da Vinci ou talvez até por um monge, enquanto outros acham que pode ser simplesmente uma brincadeira elaborada.
Qual a origem do Manuscrito Voynich
Lisa Fagin Davis, diretora executiva da Academia Medieval da América e estudiosa de longa data do Manuscrito Voynich, afirma que o primeiro registro foi feito após o Sacro Imperador Romano Rodolfo II comprá-lo no final do século XVI. Segundo as pesquisas, Rodolfo acreditava que o documento havia sido escrito pelo filósofo e alquimista britânico do século XIII, Roger Bacon.
O manuscrito então viajou pela Europa, desaparecendo por 250 anos, antes de finalmente ser adquirido por Voynich. Embora o livreiro nunca tenha revelado onde o obteve, Davis afirma que sua esposa revelou, após a morte, que ele o havia comprado de jesuítas nos arredores de Roma.
Em 2011, testes com carbono revelaram que o pergaminho data do início do século XV, entre os anos de 1404 e 1438. A análise da tinta confirmou que era compatível com a utilizada nesse período.
Essa datação descarta alguns dos nomes considerados para autores do manuscrito, como Bacon, Da Vinci e o próprio Voynich. Mas, além desses fatos, o manuscrito levanta mais perguntas do que respostas.
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Testes com Inteligência Artificial
Embora a mídia relate regularmente que alguém finalmente decifrou o código, nenhuma dessas alegações resistiu a uma análise rigorosa até o momento.
Uma teoria recente que desencadeou um ciclo inteiro de notícias foi a afirmação de um professor e um aluno de pós-graduação da Universidade de Alberta, no Canadá, de que a inteligência artificial finalmente havia decifrado o código.
Greg Kondrak e Bradley Hauer pegaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos das Nações Unidas e a traduziram para 380 idiomas. Usando uma série de procedimentos e algoritmos estatísticos complexos, eles conseguiram que um computador identificasse o idioma correto em até 97% dos casos.
Eles alegaram que o texto foi originalmente escrito em hebraico, e que, segundo algorítimos de computador, a primeira frase completa era “Ela fez recomendações ao padre, ao chefe da casa, a mim e a outras pessoas.”
Mas Davis e outros contestaram a ideia de uma tradução precisa.
Davis afirmou que, em última análise, para que uma teoria se sustente, ela deve ser avaliada, ser replicável por outros estudiosos e resultar em algo que faça sentido.
Outras teorias
Ahmet Ardic – engenheiro eletricista de profissão, cuja paixão de longa data tem sido pesquisar línguas turcas, linguística e raízes etimológicas – encontrou por acaso uma cópia do manuscrito Voynich online há quatro anos.
Como muitos outros, ele ficou intrigado e começou a trabalhar nisso sozinho durante um ano. Depois, pediu ajuda aos seus dois filhos.
A família Ardic publicou um vídeo no YouTube explicando sua teoria. Eles afirmam ter certeza de que o manuscrito está escrito em um tipo de dialeto turco antigo ou em uma combinação de dialetos – em sua maioria escrito em ortografia fonêmica, ou seja, a linguagem escrita como é falada.
Um dos filhos disse que sua família já decifrou pelo menos 300 palavras e está confiante de que agora possui vocabulário suficiente para ler pelo menos 30% do manuscrito.
Dizem que o manuscrito contém receitas, detalhes de pomadas e até mesmo informações sobre aborto, como realizar uma cesariana corretamente e desmistificando concepções errôneas comuns da época, como a de que comer mais ajudaria a ter um filho homem.
Davis afirma que as alegações deles se sustentam muito bem até o momento, embora ela esteja ansiosa para ouvir a opinião de um especialista em línguas turcas antigas que possa avaliar o trabalho da família.
*com informações da CNN Internacional.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por Giovanna Csiszar.

