A ideia de que o cão é o melhor amigo do homem é amplamente conhecida por quem convive com esses animais de estimação, mas essa relação tem raízes muito mais antigas do que se imagina. Um estudo recente, publicado na revista ScienceDirect, analisou restos mortais de cães encontrados em Castillo de Huarmey, um centro cerimonial do Império Wari (600–1050 d.C.), no Peru.
De acordo com a pesquisa, a presença de cães no local é sustentada por três linhas de evidência. A primeira, artística, é a menos abundante; as oferendas funerárias de uma tumba de elite intacta e dos sepultamentos de artesãos incluíam numerosos vasos e tecidos decorados, embora apenas um representasse um cão: uma efígie antropomorfizada da raça antiga Pelado Peruano sentado, segurando um objeto semelhante a um instrumento musical.
A segunda linha de evidência consiste em marcas de mordidas caninas, escassas, mas disseminadas, observadas em 58 espécimes de camelídeos. Já a terceira e mais direta evidência são os próprios restos mortais do cão.
Os pesquisadores analisaram 341 ossos desses animais e identificaram pelo menos 20 que assumiam funções diversas, como cães de caça, pastores, companheiros e necrófagos. Além disso, três desses cães foram provisoriamente identificados como Pelados Peruanos.
As análises também revelaram que esses animais acompanhavam os humanos em diversas rotinas cotidianas. Os resultados sugerem que eles se deslocavam com camelídeos e, caso fossem Pelados Peruanos, poderiam ter sido companheiros que receberam cuidados de perto durante o desenvolvimento inicial.
Já o padrão alimentar singular observado nos filhotes de Pelados Peruanos, semelhante à ingestão de plantas C4 por crianças, pode indicar um sistema de criação organizado que antecedeu a presença dos Wari na região próxima à costa norte.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por Giovanna Csiszar.

