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Metade dos tutores se preocupa com sofrimento no fim da vida dos pets

Metade dos tutores se preocupa com sofrimento no fim da vida dos pets

A velhice dos pets costuma ser um tópico sensível para muitos tutores. Preocupações relacionadas à saúde e ao comportamento de cães e gatos aumentam conforme eles vão ficando mais velhos.

As dinâmicas na relação entre humanos e animais domésticos têm mudado com o passar dos anos. Atualmente, pets são considerados membros da família e entram em um lugar muito mais emocional nessas estruturas.

Uma pesquisa realizada pela Ipsos e pela PremieR mostra que tutores não pensam mais em quantos anos esses animais vão existir, mas se eles terão uma velhice saudável e confortável.

O estudo, realizado com 1.200 tutores de cães e gatos, mostra que 80% deles acreditam que a longevidade está associada à saúde, à qualidade de vida e ao bem-estar. Dentro desse número, 46% acreditam que seus pets chegarão a idades entre 13 e 16 anos.

Além disso, 53% dos tutores de cães e 47% dos de gatos relatam medo com um possível sofrimento na velhice desses animais.

Há também outras questões que causam preocupações: 43% possuem medo de que os cachorros enfrentem perda de mobilidade, 45% apontam receito em relação a problemas renais e 41% problemas urinários nos gatos.

À CNN Brasil, Felipe Mascarenhas, Head de Marketing da PremieR, afirma que os cuidados que humanos costumam ter consigo mesmos estão sendo passados aos animais de estimação.

“Há um paralelo com a nossa vida: buscamos o envelhecimento mais saudável para nós mesmos, com prevenção e alimentação adequada, e isso se reflete no que buscamos para os nossos pets”, avalia o profissional.

Ele segue: “À medida que eles ocupam um lugar central nas nossas vidas, o tutor passa a exigir deles o que exige para si. Assim como investimos hoje em alimentação e prevenção para envelhecer bem, o tutor passa a buscar o mesmo para seu cão ou gato”.

Esses receios estão sendo refletidos no consumo. Com essa humanização e busca por envelhecimento saudável, os tutores passaram a ser mais exigentes com o que oferecem para os pets.

Os donos de cães e gatos buscam comprovação científica e benefícios tangíveis em imunidade, saúde digestiva e prolongamento da expectativa de vida. É uma tendência mundial apontada pela Euromonitor International.

No Brasil, essa preocupação ter crescido não é à toa: o país chegou a 166,8 milhões de animais domésticos em 2025, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas do Setor de Animais de Estimação (ABEMPET).

Mais naturalidade sobre a senilidade

O entendimento sobre envelhecimento pet avançou muito nos últimos anos. O estudo Dog Aging Project, que analisa 50 mil cães e é financiado pela Universidade de Washington, nos Estados Unidos, expõe que a tendência atual é fazer com que os animais vivam o tempo que tiverem que viver com saúde e bem-estar.

Para Flávio Lopes, médico-veterinário especialista em nutrição de cães e gatos e gerente de Relacionamento Científico da PremieR, o estudo indica que exercício regular, peso corporal magro e engajamento cognitivo e social estão ligados a um envelhecimento mais saudável, tanto em cães quanto em pessoas.

Um outro estudo, publicado em 2025 na revista científica Journals of Gerontology, aponta que os metabólitos do sangue que se associam à mortalidade em humanos têm efeito semelhante nos cães, o que reforça que existe uma biologia do envelhecimento em comum. Na rotina clínica, isso se traduz em acompanhar peso, massa muscular e condição corporal ao longo dos anos.

“Vale ser honesto: muitos desses achados mostram correlação, não causalidade, e a ciência segue avançando. O que podemos dizer para os tutores é que vale a pena investir em uma alimentação de qualidade, vacinas anuais e acompanhamento veterinário constante para garantir mais tempo com nossos pets, mas também com saúde e qualidade de vida”, declara.

Genética

Cães e gatos podem chegar a idades avançadas de acordo com seus históricos de saúde. A genética é uma parte importante nesse processo, mas há outras questões que podem impactar no bem-estar dos pets.

Flávio Lopes explica que a genética importa, mas não é sentença. No caso dos cães, o tamanho pode ser um fator determinante: os de porte pequeno vivem, em média, cerca de 5 anos a mais que os grandes.

Uma maior diversidade genética também aparece associada a uma vida média mais longa entre as raças, um dos motivos para os famosos “vira-latas” viverem tanto.

A longevidade, no entanto, resulta da combinação de genes, dieta, exercício, ambiente, vida social e cuidado veterinário. A epigenética explica que o DNA é o mapa, e as escolhas do tutor influenciam como esse caminho será percorrido. “Por isso, mesmo com predisposição, a prevenção pode mudar o resultado”, declara.

Flávio Lopes compara a saúde de um pet a uma poupança: o que se deposita nele desde filhote rende na velhice. A alimentação saudável sustenta um peso ideal, a massa muscular, as articulações e os rins, justamente os pontos que mais preocupam os tutores.

A questão da obesidade também é algo que afeta tanto animais quanto humanos. A quantidade e a qualidade da alimentação contam muito para que o pet tenha um futuro tranquilo.

O segundo “depósito” levantado pelo médico-veterinário tem relação com o acompanhamento de consultas anuais ou semestrais, vacinas em dia e exercício físico frequente.

Por fim, o ajuste na dieta de cada fase pode transformar a experiência de lidar com a senilidade de um animal. Cães seniores, por exemplo, precisam de alimentos com menos densidade calórica e mais fibra, enquanto gatos idosos podem precisar de dietas mais calóricas, com mais proteína e maior digestibilidade.

Quando as doenças aparecem, ajustes na nutrição, inclusive com alimentos coadjuvantes desenvolvidos para condições específicas, podem ajudar a controlar doença renal crônica, osteoartrite, hipertireoidismo e diabetes, sempre com orientação do médico-veterinário.

“Quanto mais cedo o tutor começa a depositar, mais anos felizes e ativos o pet tem para usufruir. Para o tutor, o recado é observar mudanças na mobilidade, no apetite e no comportamento e levar isso à consulta cedo”, conclui Flávio Lopes.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por paulocardoso12.

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paulocardoso12

Autor da publicação.