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Queda de Santiago Peña foi um golpe político “palaciano”, diz especialista

Congresso do Paraguai retoma hoje discussão sobre impeachment de Peña

O impeachment de Santiago Peña no Paraguai foi um golpe político “palaciano”, ou seja, articulado entre aliados, segundo o economista e cientista político Víctor Raúl Benítez, em entrevista ao WW.

Para o especialista, a traição partiu de dentro do próprio campo político de Peña, com destaque para dois nomes: Pedro Alliana, então vice-presidente e agora no comando do país, e Horacio Cartes, presidente do Partido Colorado — o mesmo de Peña.

Benítez descreveu o episódio como o colapso de um modelo de “crony capitalism”, ou capitalismo de amigos. Segundo ele, o rombo gerado por esse modelo tem grande abrangência, atingindo aproximadamente 3 milhões de contas ou clientes — o equivalente à metade da população do Paraguai.

Para Benítez, o conflito central que motivou a crise girava em torno de um banco que estava sendo financiado com recursos públicos, em um modelo no qual a política se tornou, nas mãos de Peña, “a principal atividade privada com fins de lucro do Paraguai”.

O papel de Horacio Cartes

Benítez caracterizou Horacio Cartes, empresário e ex-Presidente do Paraguai, como o grande articulador por trás da destituição de Peña. “HC, Horácio Cartes, é o ‘powerman’ que está apoiando os parlamentares e também, provavelmente, com relações com a Procuradoria, com a Justiça e com o mundo empresarial”, afirmou o especialista.

Para Benítez, Cartes é uma espécie de líder político de grande influência, com fortes ligações com o Brasil e amplo poder sobre o Partido Colorado, que está no governo paraguaio há aproximadamente 70 anos.

O especialista acrescentou que Cartes havia perdido o poder por cerca de 15 dias devido a uma traição do próprio Peña e do próprio Alliana. Com o impeachment, ele teria retomado sua posição dominante.

“Pedro Alliana, o vice-presidente, perspicazmente pulou do barco e também, provavelmente, instigado pelo próprio Horacio Cartes, que é o chefão deles”, disse Benítez.

Cenário político até 2028

Com a destituição, o especialista avalia que o governo entrará em modo de “piloto automático” até as próximas eleições.

Segundo Benítez, a oposição paraguaia sai bem posicionada desse processo, especialmente porque os procuradores acusadores eram jovens ligados ao Partido Liberal Radical Autêntico e ao Partido Pátria Querida.

O especialista avaliou que há uma grande chance de alternância política em 2028, comparando o momento a uma situação similar ocorrida em 2008, quando Fernando Lugo chegou ao poder. “É uma grande chance de que aconteça o que aconteceu no ano 2008 com Fernando Lugo. Alternância”, concluiu.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por afonsobenites.

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afonsobenites

Autor da publicação.