A permanência dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos entrou no centro de uma nova controvérsia política. O deputado democrata Robert Garcia encaminhou uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, solicitando a deportação imediata de Flávio Bolsonaro para que ele responda perante a Justiça brasileira.
O documento, enviado na segunda-feira (2), também exige esclarecimentos sobre uma possível participação de autoridades americanas na viagem do senador, que deixou o Brasil após a derrota na eleição presidencial de 25 de outubro.
Na correspondência, Garcia questiona os critérios adotados pelo governo Donald Trump para autorizar a entrada do parlamentar e de seus familiares nos Estados Unidos. O democrata também solicita documentos sobre eventuais contatos entre integrantes da Casa Branca, autoridades migratórias e pessoas envolvidas na organização da viagem.
Flávio deixou o território brasileiro apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia proibido sua saída do país e ordenado a apreensão de seus passaportes. A Polícia Federal investiga as circunstâncias da viagem. O senador nega as irregularidades investigadas.
Eduardo Bolsonaro também está no centro das discussões. O ex-deputado permanece nos Estados Unidos e, segundo a Agência Brasil, tem um mandado de prisão em aberto no Brasil, além de condenação a quatro anos de prisão relacionada à articulação de sanções americanas contra autoridades brasileiras. Entretanto, o pedido específico de deportação apresentado por Robert Garcia refere-se a Flávio, não havendo confirmação de solicitação equivalente contra Eduardo na mesma carta.
A nova composição do Congresso americano, após as eleições legislativas de terça-feira (3), amplia os instrumentos de fiscalização dos democratas sobre decisões do governo Trump. Um grupo de 25 parlamentares já havia solicitado explicações sobre a entrada de Flávio e estabelecido o dia 13 de novembro como prazo para respostas do Departamento de Estado.
O episódio abre uma nova frente diplomática envolvendo Brasília e Washington, com questionamentos sobre a permanência de cidadãos brasileiros investigados ou condenados pela Justiça nacional em território americano.

