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O agronegócio paulista movimentou R$ 657,6 bilhões em 2024, o equivalente a 18,9% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado e a cerca de 24% do PIB do agronegócio brasileiro.
Apesar do peso econômico, o setor atravessa um período de pressão sobre as margens dos produtores, marcado por juros elevados, aumento dos custos de produção, volatilidade dos preços e eventos climáticos.
O cenário foi apresentado nesta segunda-feira (28) pelo secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho, durante encontro do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Um dos principais sinais de dificuldade financeira está no crédito rural. Segundo os dados apresentados pelo secretário, R$ 207,4 bilhões do estoque de crédito rural estavam em situação problemática em julho de 2026, considerando operações em atraso, inadimplência, extensão ou renegociação. O montante corresponde a 23,5% de uma carteira de R$ 881,6 bilhões.
A deterioração financeira também aparece nos pedidos de recuperação judicial de produtores rurais. Foram 1.990 solicitações em 2025, alta de 56,4% em relação ao ano anterior e recorde da série apresentada. No primeiro trimestre de 2026, foram registrados outros 474 pedidos, avanço de 21,9% na comparação anual.
Para o secretário, o problema não está necessariamente associado à perda de produtividade no campo, mas à combinação entre o custo do dinheiro, dos insumos e os preços recebidos pelos produtores.
Diversificação reduz exposição
A economia agropecuária paulista tem uma característica que reduz a dependência de uma única cadeia. Segundo os dados apresentados, mais de 20 cadeias produtivas movimentam individualmente mais de R$ 1 bilhão por ano.
O valor da produção agropecuária paulista chegou a R$ 174,6 bilhões em 2025. Entre as principais cadeias estão a cana-de-açúcar, com R$ 55,2 bilhões; a pecuária de corte, com R$ 22,7 bilhões; a citricultura, com R$ 19,7 bilhões; ovos, com R$ 13,7 bilhões; café, com R$ 9,6 bilhões; e soja, com R$ 8,9 bilhões.
A diversificação, porém, não elimina os efeitos de ciclos negativos. A apresentação aponta queda de 22,1% nos preços internacionais do açúcar em 2025 e redução de 8,94% no valor da produção de cana no estado.
Na citricultura, 47,6% das plantas do cinturão citrícola foram afetadas pelo greening, enquanto o consumo mundial de suco de laranja recuou 46,5% entre 2010 e 2026. Para a safra 2026/27, a produção paulista é projetada com queda de 12,9%.
No caso da soja, a rentabilidade ficou 36% abaixo da média do ciclo em 2025. Já os preços do amendoim ficaram 22% abaixo do custo no segundo semestre do ano passado.
Comércio exterior
A força do agronegócio também aparece no comércio exterior. São Paulo exportou US$ 17,79 bilhões em produtos do agronegócio entre janeiro e agosto de 2026, com saldo positivo de US$ 13,83 bilhões.
O setor respondeu por 36,6% de tudo o que o estado exportou no período.
A pauta é liderada pelo complexo sucroenergético, responsável por US$ 4,29 bilhões, seguido por carnes, com US$ 3,02 bilhões; complexo soja, com US$ 2,39 bilhões; produtos florestais, com US$ 2,19 bilhões; sucos, com US$ 1,22 bilhão; e café, com US$ 1 bilhão.
A China foi o principal destino, concentrando 26,1% das exportações do agronegócio paulista. A União Europeia respondeu por 14% e os Estados Unidos, por 10,1%.
A concentração em grandes mercados é apontada como um dos desafios para o setor. Mais de um quarto das vendas externas do agro paulista depende de um único comprador, segundo os dados apresentados.
Produtividade e novas fontes de receita
Diante da pressão sobre as margens, o aumento da produtividade e a agregação de valor aparecem como alternativas para preservar a competitividade.
Os dados apresentados indicam crescimento de produtividade em diferentes cadeias paulistas. Na soja, o avanço foi de 21%; na laranja, de 22%; no leite, de 31,2%; e na banana, de 51%.
A transformação da produção também abre novas possibilidades de receita. Além das cadeias tradicionais, São Paulo vem ampliando atividades ligadas à agricultura digital, biomethane, bioeletricidade e combustível sustentável de aviação (SAF).
A bioenergia é um exemplo dessa diversificação. A cana-de-açúcar responde por 36,6% da matriz energética paulista, enquanto o estado concentra 53% da bioeletricidade produzida a partir da cana no país.
Um um importante diferencial econômico no estado é a logística.Nos últimos anos o governo investiu R$ 140 bilhões no programa “SP Pra Toda Obra”, que reúne mais de 1.500 obras e alcança cerca de 60 mil quilômetros.
Entre os projetos de destaque estão intervenções em estradas rurais e a ampliação da capacidade da Hidrovia Tietê-Paraná, de 2 milhões para 7 milhões de toneladas por ano.
“Hoje nosso desafio é transformar a escala já alcançada em maior capacidade de geração de valor”, disse o secretário.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por lucianafranco.

