Uma onda de ameaças de bomba foi direcionada a voos de passageiros em toda a Europa nesta sexta-feira (6), pela terceira vez nesta semana. O ministro das Relações Exteriores da Espanha afirmou que o continente parece estar enfrentando uma “agressão híbrida e uma forma de guerra psicológica”.
Falsas ameaças interromperam dezenas de voos de passageiros em toda a Europa na quinta-feira (5), obrigando algumas aeronaves a fazer pousos não programados e levando caças a escoltar ou interceptar outras. O episódio representou uma escalada em relação à primeira onda de ameaças, registrada na terça-feira (3).
Nenhum artefato explosivo foi encontrado e todas as aeronaves pousaram em segurança.
A polícia dinamarquesa informou nesta sexta-feira (6) que estava investigando ameaças direcionadas ao tráfego aéreo no aeroporto de Copenhague, mas que sua avaliação inicial era de que não havia perigo para os passageiros. O aeroporto afirmou que estava “operando normalmente”.
A polícia tcheca disse ter registrado ameaças de bomba contra voos com partida ou chegada em Praga. Um porta-voz do aeroporto afirmou que as ameaças envolviam quatro voos de chegada e cinco de partida, mas nenhum artefato explosivo foi encontrado e nenhum voo foi cancelado ou desviado por causa dos alertas.
Pouco depois, uma fonte de uma autoridade aeroportuária italiana informou que um voo da Wizz Air de Praga para Roma havia sido desviado para Veneza, onde pousou em segurança.
O gabinete do primeiro-ministro da França informou que quatro novas ameaças de bomba foram feitas contra aeronaves que sobrevoavam o território francês. Todas pousaram em segurança.
Um alerta de bomba em um voo da Ryanair de Roma para Lisboa provocou uma operação de segurança após o pouso, informou a CNN Portugal.
Marcas de um ataque híbrido coordenado
Especialistas em segurança disseram na quinta-feira (5) que as ameaças apresentavam características de um ataque híbrido coordenado, embora fosse sempre possível que indivíduos estivessem fazendo ameaças por imitação ou agindo por motivos pessoais.
Nenhum país atribuiu responsabilidade pelas ameaças. Elas ocorrem, porém, após uma onda de atos de sabotagem e tentativas de ataques contra alvos em toda a Europa, que vão de subestações de eletricidade na Alemanha a instalações ligadas à defesa na região do Báltico, refrigeradores de supermercados na França e em outros lugares e o aeroporto de Leipzig, na Alemanha.
Muitas autoridades associaram a campanha ao apoio europeu à Ucrânia na guerra contra a invasão russa, acusando Moscou de promover uma campanha de interrupções “híbridas”, essencialmente baratas de executar, fáceis de negar e que não devem provocar uma resposta armada.
O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, disse à emissora pública TVE que, embora seja necessário tempo para determinar exatamente o que aconteceu, “não pode ser mera coincidência que tantos incidentes com exatamente o mesmo modo de operação estejam acontecendo em toda a Europa”.
“A hipótese mais razoável é que estamos diante de uma tentativa de agressão híbrida e de uma forma de guerra psicológica”, afirmou, acrescentando que a Europa precisa estar preparada para enfrentar mais desafios desse tipo.
Na quinta-feira (5), uma fonte aeroportuária na Itália disse que ameaças de bomba haviam sido enviadas a várias companhias aéreas e operadoras de aeroportos em Roma e Milão, com mensagens que alegavam ser de “combatentes do Male State”.
A Reuters não conseguiu confirmar de forma independente quem havia enviado o e-mail, e não havia indicação imediata de quem estava por trás das outras ameaças em toda a Europa.
Vladislav Pozdnyakov, blogueiro russo que criou em 2016 um movimento antifeminista chamado Male State, posteriormente proibido na Rússia, afirmou que o grupo não existe mais e que não teve qualquer envolvimento no caso.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por yasmincaetano.

