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O bloqueio e as sanções contra o Irã, liderados pelos Estados Unidos, estão surtindo efeito. O sucesso dessas medidas poderá determinar a próxima fase da guerra.
As reservas de petróleo do Irã disponíveis para venda estão praticamente esgotadas. Sua produção de petróleo bruto caiu pela metade.
A principal fonte de receita do regime está secando. A hiperinflação deixou a economia em ruínas.
Enquanto isso, o fluxo de petróleo de outras nações do Golfo através do Estreito de Ormuz — sobre o qual o Irã já exerceu influência considerável — voltou efetivamente ao normal.
No entanto, o Irã ainda não dá sinais de que vai ceder.
O regime não está disposto a fazer concessões quanto ao seu programa nuclear, e as negociações sobre a liberdade de navegação na via têm emperrado repetidamente.
Por que o regime se recusa a ceder, mesmo quando o governo iraniano reconhece que sua economia enfrenta uma catástrofe histórica?
O Irã já passou por situações assim antes. Cinco décadas operando com sucesso em meio a sanções severas ensinaram ao regime iraniano algumas lições sobre como lidar com a situação.
Sua repressão brutal e contínua aos protestos sufocou a revolta popular.
Além disso, o alto custo da operação em curso dos Estados Unidos tornou o “status quo” politicamente tóxico para o inimigo do Irã.
É por isso que o regime pode estar em uma posição muito melhor do que parece.
Bloqueio ao Irã
O Irã não exportou petróleo de seus portos em setembro.
Esse foi o primeiro mês em que o Irã não carregou petróleo bruto em navios-tanque desde que a Kpler, serviço de rastreamento de dados marítimos, começou a monitorar as exportações iranianas em 2013.
O último carregamento bem-sucedido de petróleo bruto pelo Irã ocorreu em 25 de agosto.
Enquanto isso, o país está praticamente sem petróleo bruto para vender.
O volume de petróleo fora da zona de bloqueio dos EUA despencou para 10 milhões de barris — uma queda em relação aos 100 milhões registrados em julho, segundo a Kpler.
Se o Irã continuar encontrando compradores no ritmo atual, poderá ficar sem petróleo bruto para vender até o final de outubro.
Internamente, a situação do Irã não é muito melhor.
Sem ter para quem vender o petróleo recém-extraído, seus estoques em terra firme estão se aproximando de máximas históricas, atingindo 70 milhões de barris — um nível próximo ao pico registrado durante a pandemia, segundo Matt Smith, diretor de pesquisa de commodities da Kpler.
A produção de petróleo iraniana caiu para a metade do nível anterior ao conflito: cerca de 2 milhões de barris por dia, volume suficiente apenas para suprir a demanda interna.
As sanções dos EUA cobraram seu preço. A economia do Irã encolheu a uma taxa anual de 10% entre março e junho, segundo dados do governo iraniano.
A taxa de inflação anual disparou para 90% no mês passado e registrou uma média de 73% no último ano — o nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial.
A situação tornou-se tão crítica que, ao obterem dinheiro em espécie, os iranianos o gastam imediatamente em itens essenciais, pois, caso contrário, a moeda perde valor na hora, observou Adnan Mazarei, pesquisador sênior do Peterson Institute for International Economics.
O governo não consegue se financiar, por isso simplesmente imprime dinheiro, o que agrava a inflação.
Além disso, as sanções restringiram severamente as importações, levando ao fechamento generalizado de fábricas e ao aumento do desemprego.
A atual situação econômica do Irã é uma das mais críticas de sua história, reconheceu Mohsen Rezaei, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país, segundo uma reportagem publicada no sábado (3) pela agência de notícias semioficial iraniana Tasnim.
Ainda assim, o Irã parece longe de ceder.
“A economia vai muito mal”, disse Mazarei. “Mas não existe um ponto mecânico em que se possa dizer que a temperatura corporal do paciente atingiu um nível crítico e que ele vai morrer.”
Em parte, o sistema político do Irã e a repressão implacável aos protestos conferiram ao país certo grau de isolamento em relação à destruição econômica imposta pelo bloqueio e pelas sanções.
Além disso, o Irã parece estar conseguindo contornar algumas dessas restrições.
“A situação da população está cada vez mais precária, mas o regime demonstra uma paciência e uma tolerância incríveis diante do sofrimento de seu povo”, observou Mazarei. “E o Irã tem um longo histórico de superar sanções.”
Evasão de sanções
As opções do Irã para burlar sanções parecem mais limitadas do que nunca.
A Operação “Economic Outcast” (Pária Econômico), da administração Trump, tornou-se tão eficaz que alguns governos, que anteriormente haviam ignorado em grande parte as sanções dos EUA, começaram a levar essas restrições extremamente a sério.
Por exemplo, dezenas de petroleiros iranianos, cujas tripulações temem ser capturadas pelos EUA e seus aliados ocidentais, ficaram à deriva.
Ancorados ao largo da costa do Sri Lanka, eles tiveram a ajuda humanitária negada apesar de vários pedidos de socorro, segundo Charlie Brown, consultor sênior da “United Against Nuclear Iran”, uma organização sem fins lucrativos que monitora e denuncia violações das sanções impostas ao Irã.
Esses detalhes foram divulgados inicialmente pelo “Wall Street Journal”.
No entanto, o regime iraniano desenvolveu redes sofisticadas para combater e burlar as sanções.
Apesar do aperto do cerco, este conflito não parece ser diferente: a falta de disposição do Irã em ceder sugere que a evasão de sanções continua ocorrendo, afirmou Michelle Brouhard, chefe de políticas e risco geopolítico da Kpler.
“O regime iraniano é muito eficiente em administrar o país sem recursos”, disse ela. “Não acredito que o Irã esteja em um ponto crítico. Portanto, eles devem estar recebendo fundos de alguma fonte.”
Por exemplo, dezenas de petroleiros iranianos, cujas tripulações temem ser capturadas pelos EUA e seus aliados ocidentais, ficaram à deriva. Ancorados ao largo da costa do Sri Lanka, eles tiveram a ajuda humanitária negada apesar de vários pedidos de socorro, segundo Charlie Brown, consultor sênior da *United Against Nuclear Iran*, uma organização sem fins lucrativos que monitora e denuncia violações de sanções relacionadas ao Irã.
Esses detalhes foram divulgados inicialmente pelo “Wall Street Journal”.
No entanto, o regime iraniano desenvolveu redes sofisticadas para combater e burlar as sanções.
Apesar do aperto do cerco, este conflito não parece diferente: a falta de disposição do Irã em ceder sugere que a evasão de sanções continua ocorrendo, afirmou Michelle Brouhard, chefe de políticas e risco geopolítico da Kpler.
Onde há fumaça, pode haver fogo, mas detectar a evasão de sanções é uma tarefa complexa.
O Irã pode estar transportando petróleo por via terrestre para o Cazaquistão e a Rússia, ou por via aquática através do Mar Cáspio, sugeriu Brown, observando que o Irã tem disfarçado rotineiramente seu petróleo de exportação como sendo iraquiano e transferido a carga para navios de outras nações para retirar o petróleo bruto do estreito.
Além disso, o regime conta com intermediários de confiança em muitos países vizinhos que realizam transações secretas em seu nome — utilizando dólares americanos, criptomoedas ou outros meios — para evitar a detecção, segundo Brown.
Entre as possibilidades mais intrigantes, disse Brouhard, está a de que nações do Golfo exportadoras de petróleo estejam pagando secretamente taxas ao Irã em troca de passagem segura pelo Estreito de Ormuz — mesmo contando com a proteção de escoltas militares dos EUA.
Não existem provas concretas de tal acordo, mas Mazarei e Brown também relataram ter ouvido rumores de que produtores de petróleo estariam pagando um “pedágio de segurança” ao Irã para garantir a passagem segura.
O Irã continuou a atacar alguns navios-tanque que transportam petróleo pelo estreito — mas esses poderiam ser navios que se recusaram a pagar o pedágio, sugeriu Brouhard.
Um caminho incerto pela frente
Independentemente de as nações do Golfo estarem ou não pagando diretamente ao Irã, o custo de manter o “status quo” e forçar a passagem de petróleo pelo Estreito de Ormuz tornou-se extremamente elevado para todos os envolvidos.
A Marinha dos EUA precisa dedicar recursos significativos ao bloqueio e ao seu programa de escolta.
Isso custa dezenas de bilhões de dólares aos contribuintes americanos, tudo isso enquanto os preços dos combustíveis permanecem em níveis historicamente elevados.
Os produtores de petróleo estão pagando preços exorbitantes para fretar navios-tanque a fim de transportar o petróleo bruto até o seu destino.
Considerando mão de obra, combustível, seguros e outros custos, um navio do tipo VLCC (“Very Large Crude Carrier”) custa agora US$ 1,6 milhão por dia (cerca de R$ 7,9 milhões) — 24 vezes o custo de 2025, segundo a Clarksons Shipping and Maritime Services.
“Alguém está lucrando”, disse Brouhard. “Neste momento, o preço está sendo pago às seguradoras. E somos nós que estamos pagando a conta.”
Esse “status quo” insustentável pode ser a razão pela qual o Irã tem aguardado pacientemente o fim da administração Trump.
O país pode ter perdido sua influência no mercado de petróleo e visto sua economia ser duramente atingida, mas talvez consiga resistir por mais tempo do que a disposição dos Estados Unidos de manter esse rumo (custoso).
Em outras palavras: “Estaremos à beira da guerra por muito tempo”, disse Mazarei.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por laurasantana.

