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Mesmo com a regulamentação das apostas de quota fixa no Brasil, entre 38% e 44% do mercado de bets pode continuar concentrado em plataformas ilegais, segundo estimativa da LCA Consultoria Econômica, produzida a pedido do IBJR (Instituto Brasileiro do Jogo Responsável).
A participação estimada do mercado irregular recuou em relação ao levantamento anterior. Em 2025, a faixa calculada era de 41% a 51% do mercado.
Em valores, a LCA calcula que o mercado ilegal tenha uma receita anualizada entre R$ 32,9 bilhões e R$ 43,3 bilhões.
O mercado legal, por sua vez, é estimado em cerca de R$ 54,3 bilhões por ano. Somados, os dois segmentos representariam um mercado entre R$ 87 bilhões e R$ 98 bilhões em receitas anualizadas.
Os números dizem respeito à receita estimada do mercado de apostas, e não ao valor total colocado pelos apostadores em jogos.
A estimativa de participação das plataformas irregulares partiu de uma pesquisa do Instituto Locomotiva com 2.291 apostadores.
O levantamento identificou inicialmente os entrevistados que apresentavam indícios de utilização de plataformas não autorizadas. Cerca de metade relatou ao menos dois sinais associados ao uso de sites irregulares, entre eles a ausência de reconhecimento facial ou a possibilidade de realizar depósitos com cartão de crédito.
Depois, a pesquisa buscou identificar quanto das apostas desses usuários era direcionado a essas plataformas. Os entrevistados indicavam se apostavam tudo, a maior parte, metade ou a menor parte do total em sites considerados irregulares.
Como respostas como “maior parte” e “menor parte” não correspondem a percentuais exatos, a LCA construiu diferentes cenários, atribuindo pesos distintos a essas categorias.
A partir dessas combinações, a consultoria chegou ao intervalo de 38% a 44% de participação do mercado ilegal. O resultado é, portanto, uma projeção baseada nas respostas dos apostadores, e não uma medição direta das receitas ou das contas das plataformas clandestinas. Essa estimativa de participação dos operadores ilegais foi usada posteriormente para calcular seu tamanho em valores monetários.
Mercado ilegal pode movimentar até R$ 43,3 bilhões
Para transformar a estimativa percentual em valores, a LCA partiu dos dados de arrecadação da Receita Federal relativos ao mercado regular. Segundo o estudo, a Receita arrecadou R$ 8,7 bilhões com atividades de exploração de jogos de azar e apostas entre janeiro e julho de 2026.
A consultoria considerou uma carga tributária efetiva de 27,6% para estimar, a partir desse recolhimento, o tamanho do mercado legal. O cálculo resultou em R$ 31,6 bilhões de receitas do mercado legal nos primeiros sete meses do ano.
A LCA, então, anualizou o resultado, considerando a hipótese de que o valor observado entre janeiro e julho seja reproduzido proporcionalmente nos cinco meses restantes. Nesse cenário, o mercado legal alcançaria R$ 54,3 bilhões em receitas no ano.
A partir desse tamanho estimado do mercado regulado e do intervalo de 38% a 44% atribuído às apostas ilegais, a consultoria calculou o tamanho do segmento irregular.
Nos primeiros sete meses, a receita do mercado ilegal ficaria entre R$ 19,2 bilhões e R$ 24,9 bilhões. Com a mesma metodologia de anualização, o intervalo passaria para R$ 32,9 bilhões a R$ 43,3 bilhões em 2026.
Ilegalidade pode representar até R$ 12 bilhões em tributos
O estudo também estima o impacto fiscal relacionado à parcela do mercado que permanece fora do ambiente regulado. Ao aplicar a carga tributária de 27,6% sobre o valor estimado de movimentação do mercado ilegal, a LCA calcula uma arrecadação potencial não recolhida entre R$ 9,1 bilhões e R$ 12 bilhões por ano.
A estimativa não inclui a taxa de fiscalização cobrada das casas de apostas, nem o Imposto de Renda incidente sobre eventuais ganhos dos apostadores.
A LCA estima ainda que, caso cinco pontos percentuais do mercado migrem das plataformas ilegais para operadores autorizados, a arrecadação adicional poderia ficar entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão por ano, mantida a carga tributária utilizada pelo estudo.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por elisbarreto.

