A comunidade científica ainda assimila o alcance do feito anunciado pela OpenAI: a empresa revelou que um modelo de inteligência artificial resolveu 377 problemas matemáticos, em áreas como álgebra, teoria dos números e ciência da computação teórica.
Poucas semanas antes, a desenvolvedora já havia anunciado que uma IA resolveu parcialmente a equação de Navier-Stokes, conhecida como o “problema do milênio, uma questão matemática que permanecia sem resposta há mais de 80 anos.
O especialista em IA e colunista da CNN Brasil Álvaro Machado Dias analisou o caso no quadro Prompt CNN, no programa Prime Time. Ele explicou de que forma a inteligência artificial é capaz de superar as limitações humanas nesse tipo de tarefa.
Segundo ele, enquanto os seres humanos agem em série — fazendo uma coisa de cada vez —, a IA processa tudo simultaneamente. “A IA empilha essas coisas todas. É tudo ao mesmo tempo. E aí ela testa quais são as soluções que deram mais certo, quais deram menos certo”, afirmou.
“Tem o quê de tentativa e erro em grande volume. Isso nenhum humano é capaz de fazer”.
O papel dos grandes matemáticos na era da IA
Com a máquina assumindo a resolução de problemas históricos, surge a questão sobre o futuro dos grandes cientistas e matemáticos.
Para Machado, a figura do gênio solitário que contempla os grandes mistérios está “entrando em extinção”. No entanto, ele ressalta que isso não significa o fim do papel humano na ciência.
“Isso significa que não há nenhum papel para os grandes matemáticos, para os grandes físicos? Eu diria que tem mais papel. Só não é o de descobrir as coisas em primeiro lugar”, explicou.
Para ele, a IA descobre em tal velocidade que falta capacidade humana para traduzir, aplicar e identificar os próximos passos dessas descobertas. “A gente deixa de ser solucionadores e se torna aplicadores das ciências puras”, concluiu.
Matemática escolar e a formação do pensamento lógico
O especialista também defendeu que a matemática escolar permanece fundamental, independentemente dos avanços da IA. Segundo ele, a disciplina funciona como “uma espécie de formalização do bem pensar”, aplicando princípios lógicos que tornam qualquer argumentação mais eficiente.
“A matemática é um instrumento, ela começa e entra em todas as áreas, fazendo a gente pensar de maneira mais poderosa”, disse. “A matemática escolar não vai a lugar nenhum, porque ela sobretudo tem essa função de treinamento cerebral.”
Já para quem segue carreira acadêmica avançada — doutorados e pós-doutorados —, o cenário pode ser diferente, com caminhos totalmente novos sendo traçados pela presença da inteligência artificial.
IA avança também na biologia e na medicina
Além da matemática, a inteligência artificial já está adentrando pesquisas em medicina, biologia molecular e química.
Machado afirmou que o caminho natural é que quase todas as novas moléculas destinadas ao desenvolvimento de medicamentos passem a ser descobertas por IA. Contudo, ele ressaltou que, nessa área, a automação tem limites claros.
“Ainda que uma parte seja fortemente automatizada, não é verdade que essas ciências serão resolvidas pela inteligência artificial”, ponderou. “Muito pelo contrário, elas têm uma parte que é longa e precisa ser muito rigorosa, porque a segurança humana tem que estar em primeiro lugar.”
Para o especialista, a colaboração entre humanos e máquinas é promissora, mas exige atenção às sobreposições que podem não estar alinhadas ao interesse da humanidade.
Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.Acompanhe Economia nas Redes Sociais
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por afonsobenites.

