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O cobre e o alumínio são os metais mais frequentemente atingidos por novas restrições à exportação no mundo, superando até mesmo as terras raras, que estão no centro da disputa geopolítica entre China e Estados Unidos.
Levantamento da Global Trade Alert identificou 55 medidas envolvendo o cobre e 49 relacionadas ao alumínio desde 2020, enquanto as terras raras foram afetadas por 18 restrições.
Ao todo, foram identificadas 117 novas restrições comerciais adotadas por 35 jurisdições entre fevereiro de 2020 e setembro de 2026. Somente neste ano, foram registradas 14 novas medidas.
Além do cobre e do alumínio, o ranking é composto por chumbo e níquel, com 31 restrições cada, prata (29), cromo (27), lítio (26) e cobalto (24). As terras raras aparecem apenas na 19ª posição entre os 27 grupos de minerais críticos afetados.
O levantamento considera medidas que limitam as exportações, como exigências de licenciamento, cotas e proibições comerciais. Restrições relacionadas a sanções internacionais foram excluídas da análise.
Os números representam a quantidade de medidas que abrangem cada material, e não necessariamente restrições exclusivas a determinado mineral. Uma mesma decisão governamental pode afetar diferentes produtos.
Disputa vai além da China
Apesar do protagonismo chinês na disputa por minerais críticos, a China responde por aproximadamente 20% das restrições identificadas desde 2020. Quando consideradas apenas as terras raras, porém, a participação do país sobe para 50%.
No caso dos metais básicos, China, Rússia e Indonésia concentram, juntas, aproximadamente 40% das restrições comerciais.
O levantamento também mostra que a disputa não está limitada à exportação de minérios em estado bruto. Cerca de 85% das restrições abrangem materiais processados, incluindo produtos que já passaram por etapas de transformação industrial.
Entre os metais básicos, aproximadamente um quarto das medidas também atinge sucatas e resíduos metálicos, utilizados como matéria-prima pela indústria de reciclagem e transformação.
Esse movimento está relacionado à tentativa de governos de garantir o abastecimento de suas indústrias, estimular o processamento mineral dentro dos próprios territórios e ampliar o controle sobre cadeias consideradas estratégicas.
A Indonésia, por exemplo, mantém desde 2020 uma proibição à exportação de minério bruto de níquel para estimular o processamento doméstico. A política ajudou a transformar o país em um dos principais fornecedores globais de produtos processados de níquel.
Já a China passou a exigir, em abril de 2025, licenças para a exportação de sete grupos de terras raras médias e pesadas e de determinados produtos derivados, incluindo materiais utilizados na fabricação de ímãs permanentes. Pequim justificou as restrições como necessárias à proteção da segurança nacional.
Outros países também adotaram medidas semelhantes. A República Democrática do Congo suspendeu as exportações de cobalto em fevereiro de 2025, substituindo posteriormente a proibição por um sistema de cotas. Os Emirados Árabes Unidos também estabeleceram restrições temporárias às exportações de sucatas de ferro, cobre e alumínio em 2026.
Comércio internacional sob pressão
O avanço das restrições também aparece em levantamento da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), divulgado em abril deste ano.
Segundo a entidade, o número de restrições às exportações de matérias-primas críticas aumentou cinco vezes entre 2009 e 2024.
A exposição foi particularmente elevada no caso do cobalto e do manganês, com cerca de 70% das exportações globais afetadas. Os percentuais chegaram a 47% para o grafite e 45% para as terras raras.
A OCDE alerta que o avanço dessas medidas pode comprometer o abastecimento industrial, aumentar a volatilidade dos preços e aprofundar a concentração das cadeias globais de minerais críticos.
A nova Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, sancionada em setembro, abre margem para que o Brasil também adote medidas de controle sobre as exportações desses materiais.
A legislação permite estabelecer parâmetros técnicos e compromissos de agregação de valor no país, criando instrumentos para estimular o processamento mineral em território nacional antes da exportação.
A aplicação dos novos instrumentos ainda depende de regulamentação complementar.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por gabrielgarcia.

