O papa Leão XIV passou por uma cirurgia que confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma pulmonar, um tipo de câncer de pulmão, nesta terça-feira (13).
A cirurgia, realizada no Hospital Universitário Agostino Gemelli, em Roma, durou cerca de 90 minutos e foi considerada bem-sucedida. O lobo inferior do pulmão direito foi removido por meio de uma técnica videoassistida.
Segundo o comunicado da Santa Sé, o papa despertou normalmente após o procedimento e retornou ao quarto depois de um breve período de observação.
Leão XIV anunciou no domingo (11) que médicos haviam identificado um nódulo no pulmão durante exames de rotina e recomendado a remoção da formação.
A decisão de Leão XIV de comunicar publicamente que passaria por uma cirurgia antes de ser internado em um hospital de Roma reforça uma mudança na forma como o Vaticano lida com informações sobre a saúde do pontífice, que vem acontecendo nos últimos papados.
A transparência foi elogiada pelo cardeal canadense Gérald Lacroix. Na segunda-feira (12), ele destacou a decisão do pontífice de explicar publicamente o que estava acontecendo e pedir orações.
“Apreciei muito o fato de que, ontem… ele mesmo disse: ‘É isto o que está acontecendo’ — com muita transparência — e pediu orações. Gostei disso”, afirmou Lacroix.
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também comentou a postura serena de Leão XIV diante da necessidade da cirurgia. Segundo ele, a notícia foi uma surpresa, mas o pontífice tratou do assunto com tranquilidade.
“Conversamos com muita calma”, disse Parolin à imprensa italiana. “Estou preocupado? Sim, porque certamente não esperava algo assim.”
Para o especialista em Vaticano, Raylson Araújo, a postura reflete a evolução da comunicação da Santa Sé nos últimos anos e pode reduzir as especulações sobre o estado de saúde do líder da Igreja Católica.
“Isso parece demonstrar uma mudança no próprio processo de comunicação do Vaticano. Com Francisco, por exemplo, já experimentamos uma cobertura diferente da anterior, com a atualização constante dos boletins sobre a sua saúde”, afirmou.
Segundo ele, a forma como a Santa Sé se comunica passou por um processo de evolução nos últimos anos.
Transparência pode reduzir especulações
Para Raylson, tornar pública a informação sobre a própria saúde não necessariamente expõe o papa a críticas dentro da Igreja. Na avaliação do especialista, a ausência de informações pode produzir o efeito contrário ao desejado, alimentando rumores e especulações nos bastidores.
O especialista também relaciona a postura de Leão XIV à maneira como o pontífice abordou a fragilidade humana em sua primeira encíclica, publicada em maio. Segundo Raylson, há uma conexão entre essa perspectiva e a decisão de comunicar o procedimento.
“É bastante significativo que o Papa que escreveu sobre como a fragilidade pode ser caminho de encontro com Deus, em maio, na Magnífica Humanitas, foi o mesmo que noticiou para todo o seu rebanho sobre a sua enfermidade”, afirmou.
Como outros papas lidaram com a própria saúde?
Embora a comunicação sobre a saúde de Leão XIV tenha sido considerada transparente, papas anteriores também falaram publicamente sobre procedimentos médicos.
Um dos exemplos citados por Araújo é João Paulo II, que, em julho de 1992, anunciou aos fiéis durante a oração do Angelus que seria internado para realizar exames.
Dias depois, o pontífice passou por uma cirurgia para retirar um tumor benigno no estômago. O episódio foi recordado recentemente pela vaticanista Mirticeli Medeiros, segundo Araújo.
O especialista também cita João XXIII, que morreu em junho de 1963. Nesse caso, a divulgação do diagnóstico ocorreu apenas uma semana antes da morte do papa, embora integrantes da Igreja já soubessem da doença desde setembro de 1962.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por lucasoliveira.

