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Corte de gastos protagoniza expectativa do mercado às vésperas da eleição

Corte de gastos protagoniza expectativa do mercado às vésperas da eleição

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A expectativa pela eleição presidencial foi ponto focal no mercado financeiro nas últimas semanas. Do início da campanha eleitoral até o último pregão antes do 1º turno, o Ibovespa acumulou alta de 15,2%.

Especialistas ouvidos pelo CNN Money apontam que este avanço se dá sob a expectativa de que o próximo presidente promova um ajuste nas contas públicas.

O ex-secretário do Tesouro e fundador da Oriz Parters, Carlos Kawall, explica que – apesar dos recentes cortes da taxa de juros – a Selic segue em patamar elevado devido principalmente à política de expansão de gastos, que pressiona a inflação.

Para ele, este é um dos fatores que mais pesam para os investidores na tomada de decisões.

“Se você tiver um reequilíbrio entre essas políticas, principalmente com uma política fiscal mais contracionista, os juros têm mais espaço para cair, e isso é o grande alimento para a bolsa de valores.“

Kawall aponta que a política conduzida com esforço pelo corte de gastos é associada, pelo mercado financeiro, ao candidato Flávio Bolsonaro (PL).

“Na próxima segunda-feira, conhecido o resultado do primeiro turno, se nós tivermos, por exemplo, um cenário em que Flávio Bolsonaro apareça à frente do presidente Lula, isso provavelmente vai ser um evento de alta da bolsa”, afirma Carlos Kawall.

Mas o candidato de oposição também tem seus desafios. E o principal deles é a estabilidade política,  outro valor fundamental para o mercado financeiro. E que acabou sendo arranhado após os embates do bolsonarismo com as instituições.

Ideologia fora do radar dos investidores

Especialistas afirmam que a reação dos mercados à eleição está totalmente relacionada à expectativa para a política econômica, e não a um viés ideológico.

“Quem ganhar, seja de direita ou de esquerda, vai receber um país com despesas obrigatórias somando 92% do orçamento e um estoque de dívida alto”, diz Alex Lima, da Guide Investimentos.

Kawall traça um paralelo com a situação dos Estados Unidos: “O presidente Donald Trump claramente é um presidente da direita, e ele vem praticando uma política de populismo fiscal, e por isso as taxas de juros estão subindo a patamares históricos.”

Preocupação que ultrapassa a política fiscal

Mas a preocupação dos investidores vai além da questão fiscal. Os impactos do conflito no Oriente Médio e da guerra comercial travada por Donald Trump também devem ter impacto direto sobre o comportamento do mercado brasileiro.

Ainda no cenário doméstico, os agentes seguem de olho nas privatizações e nos próximos passos da reforma tributária. São muitos desafios, e muitas dúvidas sobre a capacidade do próximo governo avançar nessa agenda.

“Depois que passar a eleição, o mercado vai se voltar para esse foco, onde a geopolítica está virando a macroeconomia”, reflete Alex Lima.

Na segunda-feira, day after da eleição, investidores vão reagir não apenas à definição de quem estará no páreo no segundo turno.

Mas principalmente ao placar dessa votação e ao resultado eleição para o Senado – que será fundamental para garantir governabilidade ao próximo presidente. Mas qualquer reação tende a ser de curto prazo.

Depois, será preciso ver promessas de campanha transformadas em políticas econômicas eficientes.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por gabrielbosa.

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gabrielbosa

Autor da publicação.