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Cortes na geração de energia solar e eólica superam 60% em 1 a cada 5 dias

Cortes na geração de energia solar e eólica superam 60% em 1 a cada 5 dias

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Entre janeiro e agosto de 2026, o Brasil registrou 51 dias em que os cortes de geração eólica e solar superaram 60% da produção potencial, segundo levantamento da consultoria Volt Robotics com base em dados do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

O número representa uma alta de 21 dias a mais em relação aos 30 dias identificados no mesmo período de 2025 e equivale a aproximadamente um a cada cinco dias. Em 12 desses dias, as restrições ultrapassaram 80% da geração de referência das usinas analisadas, ante sete nos primeiros oito meses do ano passado.

Os cortes de energia impostos pelo ONS são conhecidos pelo jargão “curtailment” para preservar a segurança e a confiabilidade do sistema elétrico. O volume contabilizado corresponde à diferença entre a energia que os empreendimentos poderiam produzir, dadas as condições de vento, sol e disponibilidade dos equipamentos, e a geração efetivamente realizada após a restrição.

“O Brasil investiu bilhões em geração renovável, muitas vezes incentivada por políticas públicas, mas hoje precisa desligar essas usinas porque faltou planejamento para garantir a entrega da energia gerada aos consumidores. Com isso, desperdiçamos energia limpa, barata e um enorme potencial para o país, principalmente para a região nordeste”, disse o CEO da Volt Robotics, Donato Filho.

Embora o executivo utilize a expressão “desperdício”, os números não representam eletricidade que chegou a ser gerada e depois descartada, nem demonstram que todo esse volume poderia ser consumido nas condições existentes de operação. Trata-se de produção potencial que deixou de ocorrer.

Nos primeiros oito meses de 2026, os cortes alcançaram 3.853 megawatts médios, equivalentes a aproximadamente 22,47 milhões de megawatts-hora (MWh) no período. O avanço foi de 18,3% sobre o mesmo intervalo de 2025.

Os cortes ocorrem por três motivos: a falta de infraestrutura de transmissão, como linhas danificadas ou atrasadas; quando as linhas de transmissão atingem o limite de capacidade e a energia não pode ser escoada; e o excesso de oferta em relação à demanda. Nos dois últimos casos, não há direito a compensação.

Além do crescimento do volume, o levantamento mostra uma mudança na composição das restrições. Os cortes classificados como de razão energética, associados ao excesso de oferta em relação ao consumo, responderam por 67% do total até agosto. A participação era de 49% no mesmo período de 2025 e de 21% em 2024.

As demais categorias abrangem restrições relacionadas à indisponibilidade de equipamentos da rede e à necessidade de preservar a confiabilidade da operação.

Na avaliação da Volt Robotics, a frequência maior de cortes elevados merece atenção porque pode indicar redução da margem de manobra do sistema. Quando grande parte da geração eólica e solar sujeita ao comando do operador já está limitada, diminui a possibilidade de recorrer a novas reduções dessas fontes diante de uma queda adicional do consumo.

O caso mais notório do setor elétrico ocorreu durante o Dia dos Pais de 2025, em 10 de agosto, quando as restrições ficaram próximas de 100% em determinados momentos.

Naquele dia, havia cerca de 13 gigawatts de geração termelétrica durante o período de menor demanda diurna. O relatório ressalta que essas usinas podem precisar permanecer ligadas por exigências técnicas, tempos mínimos de funcionamento ou preparação para atender ao aumento posterior do consumo.

A Volt defende maior detalhamento dos dados que sustentam a classificação de cada restrição. A consultoria reconhece que diferenças nos cortes entre estados ou a manutenção de geração térmica e hidráulica não demonstram, por si só, erro na classificação, mas considera necessário identificar quais limitações impediram o aproveitamento da produção potencial.

Frustração de receitas

A dimensão econômica também é apontada no relatório. Entre outubro de 2021 e agosto de 2026, o levantamento estima ao menos 73,4 milhões de MWh de geração restringida. A valoração desse volume pelo Preço de Liquidação das Diferenças (PLD), referência do mercado de curto prazo, chega a R$ 8,6 bilhões. Pela modelagem das regras contratuais das usinas, a estimativa alcança R$ 13,1 bilhões, sem correção monetária.

Essa leitura de prejuízo, é questionada por uma ala do setor elétrico, já que a energia não foi gerada, tão pouco consumida. O que haveria é uma frustração de expectativas de geração de receita das empresas geradoras.

O valor não corresponde a uma apuração oficial de indenizações, a direitos de pagamento já reconhecidos ou a uma cobrança definida aos consumidores. O Ministério de Minas e Energia propôs a portaria 140 em que regulamenta os procedimentos para celebração do Termo de Compromisso destinado à compensação financeira pelos cortes

Entre as alternativas para reduzir os cortes, o documento cita reforços de transmissão, armazenamento, maior flexibilidade das usinas e incentivos para deslocar o consumo aos horários de maior oferta.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por robsonrodrigues.

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robsonrodrigues

Autor da publicação.