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Custo de vida, imigração e desgaste político pressionam Trump nas Midterms

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Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas nesta terça-feira (3) nas eleições de Meio de Mandato dos EUA, conhecidas como Midterms, para escolher os representantes da Câmara dos Deputados e parte do Senado em uma eleição que representa um teste para o presidente Donald Trump.

Com maiorias nas duas Casas, os republicanos tentam manter o controle do Congresso em meio à insatisfação com o custo de vida, à polarização em torno da imigração e à queda de popularidade do presidente.

Esse processo eleitoral acontece na metade do mandato presidencial e costuma funcionar como um termômetro da avaliação do governo. Neste ano, todos os 435 assentos da Câmara estão em disputa, além de 35 das 100 cadeiras do Senado.

Uma eventual mudança na composição do Congresso pode dificultar a aprovação de projetos de Trump e ampliar o poder de fiscalização da oposição sobre o governo.

Custo de vida e inflação

O custo de vida aparece como uma das principais preocupações dos eleitores neste ciclo eleitoral. Na pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em outubro, metade dos entrevistados registrados para votar apontou o tema como o fator mais importante na decisão eleitoral.

Na mesma sondagem, os participantes destacaram saúde, gasolina, alimentação e moradia como as despesas domésticas que deveriam receber maior atenção dos parlamentares.

Os preços dos combustíveis ganharam peso com a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada em fevereiro. Segundo a AAA (Associação Automobilística Americana), o preço médio nacional da gasolina chegou a US$ 4,28 por galão, US$ 1,20 acima do registrado no mesmo período do ano anterior. O diesel alcançou US$ 6,32, aumento de US$ 2,70 em 12 meses.

Os custos de mantimentos subiram 1,8% no último ano, de acordo com dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos Estados Unidos. Já os preços das casas registraram alta de 2,1%, segundo a Agência Federal de Financiamento Imobiliário.

A saúde também está no centro do debate. A principal conquista legislativa dos republicanos foi a prorrogação de um corte de impostos que reduziu em cerca de US$ 1 trilhão os gastos com o Medicaid, programa de seguro saúde do governo destinado a norte-americanos de baixa renda, e outros programas de saúde.

No ano passado, os democratas provocaram uma paralisação do governo em uma tentativa de prorrogar subsídios de saúde que estavam prestes a expirar e beneficiavam 24 milhões de norte-americanos.

A oposição promete adotar uma agenda voltada à redução do custo de vida caso conquiste o controle de uma das Casas do Congresso. Os democratas também afirmam que pretendem responsabilizar o governo por supostas práticas de corrupção.

Imigração

A imigração é outro tema central nessa eleição. Dados preliminares do Departamento de Segurança Interna indicaram uma queda de 95% no número de imigrantes detidos na fronteira sudoeste em comparação com o governo do ex-presidente Joe Biden.

A agência também informou que, pela primeira vez na história, não houve liberações pela Patrulha de Fronteira durante todo o ano fiscal.

Apesar dos números, a política migratória do governo enfrenta críticas após confrontos fatais envolvendo agentes federais de imigração no Maine, em Minnesota e no Texas. A morte de dois cidadãos norte-americanos em Minnesota provocou reação entre democratas e levou candidatos da legenda a defender posições mais duras contra as operações migratórias.

Entre as propostas apresentadas por integrantes do partido estão o impeachment da então secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e até a abolição do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega).

Democratas e republicanos também entraram em conflito sobre o financiamento das operações. Diante do impasse, os republicanos aprovaram unilateralmente um projeto de US$ 70 bilhões para financiar o ICE e a Patrulha de Fronteira até o fim do mandato de Trump.

Os republicanos acusam a oposição de defender fronteiras abertas, enquanto os democratas questionam as ações dos agentes federais. Neste mês, uma operação de autoridades migratórias na residência em Washington da deputada democrata Ilhan Omar, de Minnesota, provocou condenação entre integrantes do partido.

Uma pessoa familiarizada com o processo contra Omar disse à Reuters que um dos possíveis objetivos da investigação poderia ser retirar sua cidadania norte-americana e deportá-la.

Popularidade de Trump

O próprio presidente também se tornou um dos principais elementos da disputa. Apesar da queda de popularidade, Trump intensificou sua participação na campanha e realizou comícios e diversos estados nas semanas que antecederam as eleições.

Em setembro, durante uma convenção do Partido Republicano para as eleições de Meio de Mandato, o presidente pediu aos apoiadores que agissem como se ele também estivesse na cédula eleitoral.

“Vocês precisam me fazer o maior favor que já me fizeram: fingir que eu estou nas cédulas”, afirmou.

Na mesma ocasião, Trump prometeu US$ 5 mil a cada cidadão adulto americano caso os republicanos consigam manter a maioria na Câmara e no Senado.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada na segunda-feira (2), véspera da eleição, apontou que 32% dos norte-americanos aprovavam Trump, número próximo à mínima histórica de 31%.

Um levantamento da CNN, divulgado em 21 de outubro, mostra que 49% dos entrevistados preferem o candidato democrata de seu distrito, contra apenas 39% que optam pelo republicano.

Os democratas afirmam que o presidente não cumpriu promessas de campanha relacionadas à redução do custo de vida e ao fim de conflitos internacionais. A guerra com o Irã, iniciada em fevereiro, se tornou mais um fator de desgaste, especialmente diante do impacto sobre os preços dos combustíveis.

A manutenção do controle republicano do Congresso é importante para que Trump continue avançando sua agenda legislativa na segunda metade do mandato.

Caso os democratas conquistem a maioria em uma das Casas, terão mais espaço para barrar propostas do governo e fiscalizar ações da administração.

(Com informações de Yasmin Caetano, da CNN Brasil e Nolan D. McCaskill, da Reuters)


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por lucasoliveira.

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lucasoliveira

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