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Derrota de Trump abre espaço para rever tarifaço, diz analista

Derrota de Trump abre espaço para rever tarifaço, diz analista

© Reuters/Mike Segar/Proibida reprodução

A derrota de Donald Trump nas eleições de meio de mandato abre um espaço para reequilíbrio geopolítico e pressão contra o tarifaço, afirma cientista político. As eleições nos Estados Unidos (EUA) impuseram uma derrota histórica ao Partido Republicano.

Até o início da tarde desta quarta-feira (4), os democratas confirmaram 25 vagas a mais na Câmara, com 224 assentos confirmados. Seis além da metade. 73 vagas continuam sendo apuradas.

No Senado, o partido de Donald Trump perdeu sete assentos e os democratas alcançaram 54 vagas, quatro à frente da metade. Faltam ainda os nomes de dois senadores serem definidos. Nos estados, estão confirmados 28 governadores democratas contra 20 republicanos. A disputa continua em dois estados.

De acordo com o doutor em ciência política pela Universidade de Brasília, Robson Carvalho, o reequilíbrio geopolítico abre margem para o Brasil rediscutir temas como o tarifaço comercial norte-americano motivado por razões políticas. O resultado das eleições de meio de mandato pode frear não só a política externa norte-americana, como a expansão da extrema-direita na América Latina.

“Acredito que uma das mais expressivas derrotas eleitorais dos republicanos nas últimas décadas traz um recado muito forte e acende uma luz entre amarela e vermelha em relação, sobretudo, à política externa. Essa política que se assemelha a uma política imperialista dos Estados Unidos.”

Donald Trump afirmou que aceita a vitória democrata, mas postou uma imagem com a palavra “veto”. Ele havia declarado que usaria o veto presidencial para barrar leis da oposição. Segundo o cientista político Robson Carvalho, é comum Trump voltar atrás em suas declarações e depois responsabilizar a imprensa.

“Antes do resultado das urnas, o Trump havia declarado que se tornaria, se perdesse, o senhor veto. Mas, na verdade, nem tudo ele vai conseguir barrar. Uma coisa ou outra ele pode manter, mas, na verdade, a grande maioria das ações podem ser, os vetos podem ser derrubados pelo Congresso, Câmara e Senado.”

Repercussões políticas

De acordo com a agência Reuters, essa eleição foi uma resposta à frustração de milhares de eleitores norte-americanos como a economia do país está sendo conduzida e com a decisão dos EUA de começar uma guerra contra o Irã, provocando forte alta nos preços da gasolina.

No cenário internacional, o presidente do Parlamento iraniano disse que, com a votação, os norte-americanos estão dizendo “não” à guerra. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, elogiou a vitória democrata.

Os resultados nos EUA também tiveram repercussões políticas imediatas em Israel, onde os rivais do primeiro-ministro tentam formar governo sem Benjamin Netanyahu. Na semana passada, a coalizão de direita de Netanyahu teve mais votos, mas perdeu a maioria parlamentar. Os líderes das oposições israelenses, tanto de centro quanto de esquerda, afirmaram que os resultados das eleições norte-americanas enfraquecem ainda mais Netanyahu, aliado declarado de Donald Trump.

*Com produção de Luciene Cruz.


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Conteúdo reproduzido originalmente em: Agencia Brasil por Gabriel Corrêa – Repórter da Rádio Nacional*.

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