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Muito antes dos videogames e das telas, uma das principais brincadeiras ficava bem na porta de casa, no asfalto quente da rua. Nas décadas de 1950 e 1960, enquanto o asfalto começava a cobrir as vias de terra das capitais, um movimento espontâneo de criatividade tomou conta dos bairros.
Sem brinquedos sofisticados nas prateleiras, garotos e garotas usavam a imaginação para construir seus próprios veículos. Foi assim que nasceu o carrinho de rolimã, uma invenção simples que transformou qualquer ladeira em pista de corrida e marcou época com o som inconfundível de suas rodas metálicas.
O roncado de aço que virou música pelas ruas
A magia do rolimã começou a ganhar vida com o crescimento das fábricas e das oficinas mecânicas no país. Aquelas pequenas peças de aço circulares usadas em motores, que acabavam descartadas no lixo, viraram o maior tesouro da garotada.
Historiadores e saudosistas lembram que o nome “rolimã” veio do jeito carinhoso como os brasileiros adaptaram o termo francês roulement à billes, que significa rolamento de esferas. Fixados em eixos de madeira, esses quatro rolamentos faziam o carrinho deslizar quase voando pelo asfalto, criando aquele barulho marcante que avisava a vizinhança inteira que a brincadeira já tinha começado.
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A física da velocidade e o tempero do improviso
Para fazer o carrinho andar, não era preciso motor ou eletricidade, bastavam a força da gravidade, a inclinação da rua e uma boa dose de coragem. O vento no rosto e a sensação pura de velocidade vinham da física simples atuando no asfalto.
A graça estava também em fabricar o próprio brinquedo. A direção vinha de um eixinho de madeira preso por um parafuso no meio, guiado na ponta dos pés ou por cordinhas. O assento nada mais era do que uma tábua firme de caixote para aguentar o tranco, e o freio dependia de uma alavanca lateral com um pedaço de borracha de pneu velharia, pressionada contra o chão na hora de desacelerar antes da curva.
A saudade que atravessa épocas e une gerações
O carinho pelo brinquedo se espalhou por todo o país e ganhou nomes afetivos em cada região. No Sul, por exemplo, o ícone ficou conhecido carinhosamente como carrinho de lomba, mantendo o mesmo espírito de aventura e união que conquistou o Sudeste.
Mais do que uma simples corrida, o rolimã representava a essência das brincadeiras de rua, onde o trabalho em equipe começava na montagem e terminava em gargalhadas ao fim da ladeira. Essa memória afetiva continua bem viva em encontros nostálgicos, onde pais e mães hoje ensinam seus filhos a lixar a madeira e apertar os parafusos, provando que o prazer de ver um carrinho descer a rua nunca sai de moda.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por felipecarvalho.

