A missão de um empresário para incentivar a população japonesa a abraçar suas emoções levou à criação de dois serviços inusitados. O primeiro foi a “festa de divórcio” – evento criado por Hiroki Terai no Japão em 2010 para celebrar o fim de um casamento, podendo contar com os dois integrantes do ex-casal e com direito a anfitrião, bolo e ritual de destruição da aliança.
Quase duas décadas depois, festas de divórcio viraram populares em todo o mundo. Nas redes sociais, recém-solteiros comemoram com seus amigos o encerramento de longos processos de separação e o fim de relacionamentos ruins. A presença de ambas as partes é menos popular, e a maioria dos adeptos sequer conhece o nome do inventor da tradição.
Mas outro serviço criado por Terai não teve a mesma abrangência. Em 2016, ele lançou os “workshops de choro”: palestras corporativas com exibição de filmes tristes para incentivar funcionários a liberarem seu estresse através das lágrimas.
E, para grupos de trabalhadoras, havia um benefício especial: um homem bonito disposto a consolar ou chorar junto.
‘Ikemeso danshi’: homens bonitos chorões disponíveis para contrato
O nome da função é baseado no termo “ikemen”, homem bonito, e “mesomeso”, uma onomatopeia japonesa que representa um choramingo. A ideia é ser um facilitador das emoções, espelhando as reações das funcionárias aos estímulos tristes e reforçando que é permitido chorar.
O serviço contratado através do site Ikemeso Office oferece uma seleção de homens identificados apenas por seu “arquétipo”: “Tipo irmão mais novo”, “Homem bonito mais velho”, “Intelectual”, “Tipo durão”, “Espadachim bonito”, “Músico metade japonês” e até um “Dentista bonito”.
Entre as funções do “ikemeso” estão afagar a bochecha, enxugar as lágrimas com um lenço e “chorar bastante”. Durante a pandemia de Covid-19, a empresa passou a oferecer a opção de atendimentos individuais por chamadas de vídeo no valor de 5.670 ienes (cerca de R$ 180 na cotação atual).
Terapia do choro
O empreendimento é baseado na ideia de “rui-katsu”, uma busca intencional pelo choro para aliviar o estresse, fomentar conexões humanas e promover a catarse coletiva.
À BBC, um dos homens contratados como “ikemeso danshi” descreveu a lógica: “Os japoneses não estão acostumados a chorar na frente dos outros. Mas quando você chora em público, o ambiente muda, especialmente em uma empresa.”
A ideia veio das próprias festas de divórcio. Hiroki Terai conta que percebeu o desconforto que se instalava nestes eventos quando o ex-marido começava a chorar, embora os divorciados relatem que o choro era justamente a melhor parte da celebração.
“O problema era a percepção sobre homens que choram. As pessoas acham que são fracotes”, disse o criador. “Mas eu sei que depois que você chora e deixa as pessoas verem sua vulnerabilidade, você começa a se dar ainda melhor com as pessoas. O que também é bom para as empresas.”
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por julianasilva.

