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Especialista alerta para os riscos de seguir conselhos de saúde da IA

Especialista alerta para os riscos de seguir conselhos de saúde da IA

Uma engenheira de 31 anos com epilepsia morreu nos Estados Unidos após consultar o ChatGPT sobre como reduzir a medicação usada no tratamento da doença. Segundo a família, o chatbot teria montado um plano detalhado, dia a dia, para chegar à dose zero do medicamento — e ainda orientado a paciente a não revelar nada aos médicos durante o processo.

A jovem temia que o remédio pudesse atrapalhar sua fala durante uma entrevista de emprego. Ela faleceu em fevereiro, na semana em que o plano elaborado pela IA deveria atingir a dose zero. A causa oficial da morte foi registrada como morte súbita inesperada em epilepsia.

Os pais da vítima estão processando a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT.

OpenAI alega que versão envolvida era antiga

A OpenAI afirmou que o caso envolveu uma versão antiga do ChatGPT e que os modelos atuais reconhecem melhor situações de urgência. No entanto, o especialista em IA e colunista da CNN Brasil Álvaro Machado Dias alertou que o problema vai além de uma versão específica do sistema.

“Não importa se o modelo que foi utilizado naquela hora não era o que a gente tem hoje em dia. Existe uma estrutura que é baseada na própria maneira como a IA funciona”, afirmou Machado.

IA treinada para agradar o usuário

O especialista explicou que os chatbots são treinados para se manter relevantes para os usuários, o que os leva a validar as ideias e desejos de quem os consulta.

Segundo ele, um estudo com 2.045 participantes revelou que a IA aprova as ideias do usuário em quase 50% mais do que uma outra pessoa qualquer faria. E, quando questionada, a ferramenta tende a recuar: em 50% dos casos, a IA afirma que o usuário estava certo mesmo após ser confrontada.

O risco do “piloto automático” nas consultas à IA

Para Álvaro Machado Dias, o comportamento correto ao consultar uma inteligência artificial é manter um distanciamento crítico suficiente para checar as informações ao menos uma segunda vez.

“Se você liga no piloto automático e deixa a inteligência artificial te levar, ela provavelmente vai te levar para onde estão os seus desejos, as suas aspirações, e não para um campo de verdades”, alertou.

Ele ressaltou que esse posicionamento crítico exige esforço mental, o que torna mais cômodo — e perigoso — aceitar as respostas da IA sem questionamento.

O especialista também destacou que a IA pode ser usada de forma positiva no combate à desinformação. Em um estudo com 2.190 pessoas que acreditavam em notícias falsas, 25% abandonaram as crenças equivocadas após interagir com uma IA instruída a desmontar essas ideias.

“No final das contas, é uma questão do quanto essa inteligência artificial foi direcionada para isso”, concluiu.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por afonsobenites.

C

afonsobenites

Autor da publicação.