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Gestão de pessoas: Práticas de liderança que podem ajudar empreendedores

Gestão de pessoas: Práticas de liderança que podem ajudar empreendedores

Em um pequeno negócio, o dono muitas vezes cuida das vendas, das contas e também da equipe. Mesmo assim, reservar tempo para ouvir as pessoas, esclarecer o que se espera delas e apoiar seu desenvolvimento pode fazer diferença na rotina e nos resultados da empresa.

Os pequenos negócios responderam por sete em cada dez vagas de emprego criadas no Brasil, segundo levantamento do Sebrae com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

Uma pesquisa recém lançada da Microsoft aponta que pessoas que usam novas ferramentas e encontram maneiras diferentes de trabalhar nem sempre contam com processos, incentivos e apoio da liderança para colocar essas ideias em prática.

Apenas 26% dos profissionais ouvidos dizem que a liderança está clara e consistentemente alinhada sobre o tema.

A importância das equipes aparece também em um cenário global de baixo engajamento no trabalho. Na edição de 2026 de seu relatório sobre o ambiente de trabalho, a consultoria Gallup estimou que apenas 20% dos trabalhadores estavam engajados em 2025.

Para empresas com poucos funcionários, cuidar da gestão de pessoas não precisa significar criar uma área de recursos humanos ou adotar ferramentas caras.

Pode começar com práticas simples e regulares. Jéssica Cabrera, líder de Pessoas e Operações na Heartman House, destaca três pontos: confiança, clareza de expectativas e disposição para resolver conflitos. Guilherme Luz, CEO da Galena, defende que o aprendizado contínuo pode ser incorporado à própria rotina do negócio.

Confiança começa com escuta

Jéssica lembra que as pessoas levam para o trabalho diferentes experiências, preocupações e momentos de vida. Por isso, conhecer a equipe e construir uma relação de confiança ajuda o gestor a entender o que afeta o dia a dia de cada profissional.

Uma forma prática de fazer isso é marcar conversas individuais de 15 ou 30 minutos a cada um ou dois meses. O objetivo, nesse momento, é ouvir: perguntar como a pessoa está, que dificuldades enfrenta e se há algo que a empresa ou a liderança possa fazer para facilitar o trabalho.

A confiança também se constrói quando é oferecida desde a chegada do funcionário, em vez de depender de uma longa espera para ser conquistada. Uma equipe que se sente à vontade para falar tende a ter mais espaço para expor problemas, trocar ideias e entregar seu melhor trabalho.

Expectativas claras

A conversa precisa seguir nos dois sentidos. Depois de ouvir o que a pessoa espera do trabalho, o gestor deve explicar o que espera dela: quais comportamentos são importantes, quais responsabilidades fazem parte da função e o que não é negociável.

Jéssica sugere registrar por escrito critérios simples de sucesso. No caso de uma vendedora de loja, por exemplo, eles podem incluir atender clientes com cordialidade e iniciativa, manter os produtos organizados e acompanhar uma meta de vendas mensal.

Com esses parâmetros, fica mais fácil dar feedback quando algo precisa melhorar e reconhecer quem alcança bons resultados.

Essas conversas podem acontecer a cada quatro a seis meses, além dos encontros individuais de acompanhamento. O reconhecimento pode ser financeiro ou público, conforme as possibilidades da empresa; o feedback construtivo, por sua vez, deve ser dado quando necessário, sem esperar a avaliação formal.

Conflitos também são responsabilidade da liderança

Evitar conversas difíceis pode parecer mais simples no curto prazo, mas, para Jéssica, deixar conflitos sem resposta afeta o restante da equipe. Cabe à liderança intervir quando comportamentos não estão adequados e tratar o problema com clareza.

Em casos de possível desligamento, a decisão exige cuidado: é preciso avaliar se a pessoa recebeu orientação e condições para realizar o trabalho, considerar possíveis vieses e oferecer feedback ao longo do processo.

Se, depois disso, não houver melhora e a atuação continuar desalinhada com as expectativas, a liderança deve tomar uma decisão.

A forma como esses casos são conduzidos também dá sinais ao restante do time sobre o que a empresa aceita e valoriza. Resolver a situação com critério pode ajudar a proteger a confiança e o compromisso das pessoas que seguem na equipe.

Aprendizado pode caber na rotina

Para Guilherme Luz, desenvolver pessoas não depende de um grande orçamento nem de uma plataforma complexa.

O aprendizado já acontece em muitos negócios: quando um colega ensina um sistema a quem acabou de chegar, quando alguém aprende a lidar com um cliente difícil ou quando um erro leva a uma maneira melhor de fazer uma tarefa. A proposta é reconhecer essas situações e torná-las parte intencional da rotina.

O primeiro passo é escolher poucas habilidades por vez, de acordo com as necessidades da empresa.

Em uma loja, pode ser melhorar o tempo de resposta a clientes pelo WhatsApp; em um escritório, aprender a usar inteligência artificial para preparar propostas ou resumir reuniões. Duas ou três habilidades por semestre já dão foco ao esforço.

Também vale perguntar a cada funcionário o que gostaria de aprender e buscar pontos em comum com as necessidades do negócio.

Quem domina uma atividade pode ensinar os colegas, como o vendedor experiente, por exemplo, pode mostrar como conduz uma venda. Reservar 30 minutos por semana, dentro do horário de trabalho, ajuda a manter o hábito.

Depois de cada conversa ou treinamento, o grupo pode combinar o que vai testar e retomar o tema na reunião mensal da equipe.

Outras ações ajudam a dar continuidade ao aprendizado: indicar um colega de referência para cada novo contratado, listar o que a pessoa precisa aprender nos primeiros 30 dias e explicar quais competências permitem assumir mais responsabilidades.

O próprio dono também pode buscar formas de melhorar sua liderança, já que seu comportamento influencia a equipe.

No fim, gestão de pessoas exige tempo e atenção, mas não precisa começar com um plano complexo. Quando as pessoas sabem o que se espera delas, têm espaço para falar e conseguem desenvolver novas habilidades, a empresa fica mais preparada para atender seus clientes e dividir responsabilidades.

Para o pequeno empreendedor, crescer não é apenas vender mais. É construir, junto com a equipe, um negócio capaz de seguir em frente sem depender de uma única pessoa para cada decisão. A força da empresa também está em quem faz o trabalho acontecer e, cuidar desse time, é parte do próprio crescimento.

(Texto de Maria Clara Dias)


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por pedroz.

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pedroz

Autor da publicação.

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