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O ex-diretor do Credit Suisse Marcelo Kayath defende que o controle dos juros altos no país passa primeiro por um movimento de arrumação das contas públicas.
“Não se combate juros com canetada, com reclamação ao presidente [do Banco Central]. O jeito é colocar as contas em ordem. E quem não consegue cuidar das contas, não pode cuidar das pessoas”, afirmou em entrevista à CNN Brasil nesta quarta-feira (7).
O economista é cotado para assumir o Ministério da Fazenda caso Flávio Bolsonaro (PL) seja eleito presidente da República.
Em um cenário no qual o país acumula gastos de mais de R$ 1 trilhão com juros da dívida, Kayath afirma que a situação é “insustentável”.
“Temos que combater. Criar as condições de fazer ajuste nas contas de modo que seja sustentável, crível e o Banco Central possa cair os juros de maneira sustentável”, pontuou.
Ajuste das contas públicas
Kayath defende que a pessoa que vier a assumir o ministério da Fazenda deve ter uma comunicação clara com a população, evitando o “econômes”.
Ele disse não gostar do termo “ajuste fiscal”, por avaliar que distancia o cidadão comum do debate público.
“É ajustar as contas do governo, fazendo com que elas caibam nos impostos que a gente coleta da população”, esclareceu o economista.
“Dar uma parada de arrumação e fazer com que as coisas aconteçam de maneira sustentável para continuar com os programas sociais, melhorar a vida das pessoas, o investimento em saúde, em educação e sobrar mais dinheiro para infraestrutura”, pontuou.
Para ele, o primeiro passo nesse sentido é um “choque de gestão”. A ideia é enxugar a máquina pública, cortando suas ineficiências. Seu ponto de vista é de que esse roteiro traria maior credibilidade para a equipe econômica junto da população.
“Choque de gestão é mostrar para a população que estamos fazendo nosso trabalho, combatendo ineficiências no Judiciário, Legislativo e Executivo antes de pedir o sacrifício da população”, indicou.
Em seguida, viria um ajuste das contas públicas “estrutural e sustentável”.
“Uma vez que mostrar credibilidade, tem que ser cirúrgico. Tem que preservar os programas sociais, que não podem ser afetados. É uma premissa básica. Num país desigual como o Brasil a gente não pode dizer ‘os mais pobres têm que sofrer primeiro'”, indicou.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por joaonakamura.

