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O Ministério da Justiça pediu nesta sexta-feira (9) que a Polícia Federal investigue as ameaças de morte e de estupro feitas pela internet contra a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG). A política passou a integrar, nesta semana, a mobilização digital da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
Em ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, a Secretaria Nacional de Acesso à Justiça afirma que a parlamentar é alvo de ameaças em razão de seu posicionamento político e de seu engajamento na eleição presidencial. Segundo o documento, ela tirou o perfil do X do ar por causa dos ataques e relatou receber mensagens com ameaças “a cada dois minutos”.
A pasta pede que a PF adote as providências cabíveis, entre elas a abertura de inquérito para identificar e responsabilizar os autores. Solicita ainda que X e Meta sejam acionadas para moderar os conteúdos e colaborar na identificação dos responsáveis.
A violência contra as mulheres não pode jamais ser permitida ou tolerada. Temos indícios fortes de uma rede para além das fronteiras de Minas Gerais atuando para silenciar a deputada Ana Elisa. É fundamental uma ação consistente das forças de segurança pública para responsabilização de todos que possam estar atuando para colocar sua vida em perigo
O governo sustenta que a investigação cabe à esfera federal porque, em tese, se trata de crimes cometidos pela internet com conteúdo misógino. O ofício cita o crime de ameaça contra mulher e afirma que os ataques estão relacionados à atuação política da deputada eleita.
“A violência contra as mulheres não pode jamais ser permitida ou tolerada. Temos indícios fortes de uma rede para além das fronteiras de Minas Gerais atuando para silenciar a Deputada Ana Elisa. É fundamental uma ação consistente das forças de segurança pública para responsabilização de todos que possam estar atuando para colocar sua vida em perigo”, disse à CNN a secretária de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho.
Na quinta-feira (8), Ana Elisa disse que sofre um “ataque coordenado” desde que entrou na campanha de Lula. Segundo ela, as mensagens incluem ameaças de estupro e de violência, além da divulgação de endereço, telefone e documentos pessoais.
Na quarta-feira (7), a deputada eleita participou, em Brasília, de reunião com Lula e integrantes da campanha. O encontro reuniu parlamentares eleitos e influenciadores de esquerda que atuam em uma força-tarefa para reforçar a presença digital do presidente na reta final da disputa.
Antes disso, Ana Elisa já havia informado ter procurado a Polícia Civil por ameaças recebidas por e-mail durante a campanha para a Câmara. Em publicação posteriormente apagada, afirmou que o autor das mensagens se apresentava como integrante de um grupo supremacista branco e citava dados pessoais dela e de familiares.
Quem é Ana Elisa?
Ana Elisa Santos Silva (PT), foi eleita deputada federal por Minas Gerais na eleição do último domingo (4). Na primeira disputa eleitoral de sua vida, a parlamentar foi eleita com 524.219 votos, 4,57% dos votos válidos no estado.
Natural de Divinópolis, ela tem 21 anos, é estudante de Direito e faz estágio na área. Teve a segunda maior votação entre os 53 deputados federais eleitos por Minas Gerais, ficando apenas atrás de Nikolas Ferreira (PL). O PT elegeu 12 deputados federais por Minas Gerais.
Atualmente, representa uma importante frente para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição em segundo turno. Ana Elisa elegeu-se basicamente por meio das redes sociais: tem 1,9 milhão de seguidores no Instagram, portanto representa para o PT um melhor trânsito com o eleitor jovem e uma boa estratégia digital.
TópicosLuiz Inácio Lula da SilvaMinistério da Justiça
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por fernandafonseca.

