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A OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) anunciou nesta terça-feira (15) que vai ampliar o acesso ao medicamento antirretroviral Lenacapavir, usado no tratamento contra HIV/AIDS, para 14 países na América Latina e no Caribe, incluindo o Brasil.
A disponibilização do medicamento acontecerá por meio dos Fundos Rotatórios Regionais da Organização, no âmbito de um acordo feito com a Gilead Sciences, farmacêutica que desenvolveu o remédio.
Segundo a OPAS, o lenacapavir é uma profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável de ação prolongada, administrada duas vezes ao ano. O medicamento foi recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como uma opção adicional para a prevenção do HIV, após estudos demonstrarem eficácia de quase 100% na prevenção da infecção pelo vírus.
A administração semestral é vista como uma alternativa para pessoas que podem enfrentar dificuldades com esquemas de prevenção mais frequentes.
A medida da OPAS acontece em meio ao aumento no número de casos e a tentativa de frear o avanço da doença com tecnologias de prevenção. De acordo com a organização, aproximadamente 140 mil novas infecções pelo HIV ocorrem a cada ano na América Latina e no Caribe.
A decisão da OPAS beneficia os seguintes países:
- Argentina
Brasil - Chile
- Colômbia
- Costa Rica
- Equador
- El Salvador
- Guatemala
- México
- Panamá
- Paraguai
- Peru
- Uruguai
- Venezuela
Segundo Jarbas Barbosa, diretor da OPAS, o acordo complementa outras decisões de licenciamento voluntário que oferecem recursos complementares para que os países tenham acesso ao lenacapavir.
“Hoje, as Américas dispõem de ferramentas cada vez mais eficazes para prevenir o HIV, mas essas inovações só terão impacto se chegarem às pessoas que delas necessitam. Esta iniciativa representa um passo importante para reduzir as lacunas no acesso ao lenacapavir, ampliar as opções de prevenção disponíveis aos países e avançar nos esforços para eliminar o HIV como problema de saúde pública”, acrescentou.
Como acontecerá, na prática, essa viabilização?
Segundo a OPAS, a incorporação do medicamento nos programas nacionais de HIV ocorrerá de forma progressiva e dependerá dos processo regulatórios de cada país.
Na prática, a Organização está oferecendo recursos para os países adquirirem o remédio. Além disso, eles oferecem também cooperação técnica para apoiá-los na avaliação e quantificação das necessidades, na elaboração de diretrizes, no monitoramento e na preparação dos sistemas de saúde de cada região.
Promessa de fabricação no Brasil
Durante o acordo, a Gilead também se comprometeu a avançar em um processo de transferência de tecnologia no Brasil.
O objetivo da farmacêutica é realizar a produção própria do produto no território brasileiro — lembrando que o país foi um dos mais vulneráveis a epidemia da doença que ocorreu em 1980.
“Parcerias estratégicas são essenciais para a nossa ambição de contribuir para o fim da epidemia de HIV. Este acordo demonstra como a colaboração entre governos, organizações de saúde pública e a indústria pode ampliar o acesso, acelerar a implementação e criar as condições necessárias para uma expansão sustentável”, afirmou Johanna Mercier, diretora de Assuntos Comerciais e Corporativos da Gilead Sciences.
Medicamento já é aprovado pela Anvisa
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou em janeiro o uso do medicamento no Brasil.
O lenacapavir, conhecido como Sunlenca, é um PrEP indicado para adolescentes acima de 12 anos pesando acima de 35kg que correm o risco de adquirir HIV.
Antes de iniciar o uso, os pacientes devem possuir um teste negativo da doença.
Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por yasminjesus.

