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Paraguai: 1 milhão de clientes já foram indenizados em crise do Ueno Bank

Paraguai: 1 milhão de clientes já foram indenizados em crise do Ueno Bank

O novo presidente do Paraguai, Pedro Alliana, se reúne neste sábado (7) com o ministro da Economia, Oscar Lovera, o presidente interino do Banco Central paraguaio, Pedro Acosta, e o presidente do instituto de seguridade social, Derlis León, para discutir a crise desencadeada pela dissolução do Ueno Bank.

Num pronunciamento à imprensa nesta manhã, Alliana informou que mais de um milhão de correntistas da instituição financeira liquidada já tiveram seus recursos devolvidos. Ao menos três milhões de paraguaios — metade da população da nação vizinha — mantinham contas no maior banco digital do país.

O novo chefe de Estado também comunicou que cerca de 32 mil aposentados que recebiam seus benefícios através do Ueno Bank serão pagos por outros bancos no dia 17 deste mês.

O quadro de instabilidade provocou, em menos de 48h, a renúncia, impeachment e prisão do agora ex-presidente Santiago Peña — que havia assumido o Executivo local em agosto de 2023 e foi acionista do Grupo Vázquez, proprietário do Ueno Bank, até março de 2025.

Novo presidente ordena “ações imediatas” contra crise

Em sua primeira mensaem após prestar juramento perante o Congresso em Assunção, Alliana ordenou ao seu governo que realizasse “ações imediatas” para atender as pessoas afetadas pela crise.

“O Paraguai que recebemos hoje apresenta urgências que nos obrigam a estar nas ruas, nos hospitais e no campo. O que venho prometer é concreto”, declarou.

“Os compatriotas que hoje atravessam um momento difícil, em decorrência do colapso financeiro, serão plenamente compensados. Não os deixaremos sozinhos. Determino que sejam tomadas ações imediatas para ressarcir os poupadores, dando prioridade aos menos favorecidos; não quero ninguém hesitante à frente desta missão, quero resultados”, emendou Alliana, cujo mandato se estende até 2028.

Entenda a crise no Paraguai

O banco Ueno, de propriedade do Grupo Vázquez, fechou suas portas na terça-feira (3) depois que o Banco Central do Paraguai iniciou um processo de liquidação da instituição ao constatar um déficit em seus índices de solvência relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

Peña, um economista que assumiu o governo em 2023, foi acionista até março do ano passado do grupo proprietário do banco, que contava com cerca de 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões (equivalente a cerca de R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.

A oposição acusou Peña de conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de recursos previdenciários e encobrimento institucional por parte do Banco Central, entre outros pontos.

“Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente… o senhor é a origem desse monstro que criou”, disse a deputada da oposição Rocío Vallejo durante sessão, pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.

Peña afirmou em uma publicação na rede social X que os responsáveis pelas irregularidades responderão perante a Justiça, sem exceções, pouco antes de promulgar uma lei que permitirá aos poupadores do Ueno recuperar seu dinheiro em menos tempo.

“Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou ele.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por lucasschroeder.

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lucasschroeder

Autor da publicação.