Ambição, traição e manipulação se misturam em “Guerra”, novo drama jurídico da HBO, que promete explorar um universo em que a reputação vale tanto quanto o resultado de um processo. Os episódios chegam semanalmente no serviço de streaming, estando disponíveis todas as quintas-feiras, às 22h.
Criada por George Kay, responsável por produções como “Lupin” e “Sequestro no Ar”, a série acompanha a rivalidade entre dois escritórios de advocacia de elite, Cathcarts & Sons e Taylor & Byrne, que se enfrentam em uma batalha judicial de grande repercussão.
Em entrevistas cedidas com exclusividade à CNN Brasil, os atores Pip Torrens, Nina Sosanya e Miles Jupp, que interpretam três dos principais advogados do escritório Cathcarts & Sons, revelaram como a série combina a tensão de um embate jurídico com personagens implacáveis, diálogos afiados e uma boa dose de humor.
No centro da primeira temporada está o divórcio explosivo entre o empresário britânico do setor de tecnologia Morgan Henderson (Dominic West) e a estrela internacional de cinema Carla Duval (Sienna Miller). O conflito coloca em movimento uma disputa que ultrapassa os interesses dos clientes e ameaça expor os métodos, as fraquezas e os segredos daqueles encarregados de representá-los.
Torrens, que vive o advogado St. John Smallwood, define a série como “sexy, ágil e inteligente”, ao passo em que Jupp, intérprete de David Schill, destaca o caráter glamoroso da narrativa, apesar das atitudes questionáveis de seus protagonistas.
“É uma série intensa e glamorosa. Gosto de produções em que você consegue torcer por alguém desagradável. Essas pessoas têm falhas muito sérias, mas são boas no que fazem, e isso faz parte da força da série”, afirmou ele.
Ambição, poder e os bastidores da advocacia
Segundo Pip Torrens, a escolha permite explorar uma dimensão do trabalho jurídico que, para ele, costuma receber menos atenção na televisão: tudo o que acontece antes de um julgamento.
“Muitos dramas jurídicos seguem um formato de um caso por semana, com uma história maior se desenvolvendo ao fundo. Este não. Ele se concentra em um único caso e nas pessoas ao redor dele. Também coloca o foco nos advogados que preparam e conduzem os processos, então a ênfase está na preparação, na estratégia e em tudo o que leva ao tribunal, em vez de estar no tribunal em si”, explicou.
St. John Smallwood é um dos sócios do Cathcarts & Sons e principal advogado de Morgan Henderson. Sarcástico, calculista e disposto a recorrer a métodos questionáveis, o personagem é movido tanto pelo desejo de vencer quanto pela necessidade de preservar seu prestígio.
Para o ator, que já integrou os elencos de “The Crown” e “Succession”, um bom drama jurídico precisa fazer o público acreditar na competência dos personagens, mesmo quando suas atitudes despertam desconfiança.
“Você precisa acreditar que eles sabem o que estão fazendo, mas também que conseguem pensar rapidamente diante de situações inesperadas. Precisa de personagens interessantes: pessoas de quem você gosta, sobre as quais tem dúvidas ou que até adora odiar. Os riscos precisam parecer altos e deve haver uma sensação de imprevisibilidade”, avaliou.
E se St. John ocupa uma posição consolidada na hierarquia do escritório, David Schill representa quem está disposto a arriscar a própria carreira para conquistar um lugar entre os mais poderosos.
Advogado sênior do Cathcarts & Sons, David busca há anos uma promoção para se tornar sócio. A oportunidade de se destacar no caso Henderson, porém, acaba envolvendo o personagem em uma dimensão mais obscura da disputa, na qual uma estratégia bem-sucedida pode garantir sua ascensão — ou provocar sua queda.
Jupp contou que sempre quis interpretar um personagem inserido nesse tipo de ambiente. “Sempre quis participar de algo assim, em que as pessoas vestem ternos bonitos e caminham rapidamente pelos corredores, disparando informações umas contra as outras. Essa parte foi divertida, e é ótimo que as pessoas sejam más de maneiras diferentes e muito particulares”, brincou.
Para compreender melhor esse universo, o elenco conversou com profissionais da área jurídica. Segundo Jupp, os encontros revelaram a pressão enfrentada por advogados de grandes escritórios e também os comportamentos “surpreendentemente imaturos” em um ambiente de tamanha responsabilidade.
“Ficamos impressionados com a pressão sob a qual trabalham e também com o quanto as pessoas podem se comportar de maneira inacreditavelmente infantil às vezes”, contou.
“Há definitivamente uma sensação de que eles vestem uma armadura todos os dias, e isso cobra um preço pessoal. Nesse campo, há coisas demais acontecendo para realmente conseguir se desligar. As pessoas estão constantemente no nível máximo de intensidade”, acrescentou.
Mulheres no poder e a obsessão pela vitória
Outra figura central no Cathcarts & Sons é Beatrice “Her Majesty” Ubos, de Nina Sosanya. Sócia do escritório, ela é conhecida pela inteligência, pela postura implacável e pela capacidade de antecipar os movimentos dos adversários.
O apelido, que faz referência à expressão inglesa “Sua Majestade”, traduz a autoridade da personagem, que mantém uma relação de respeito e confiança com St John. Embora o caso Henderson esteja sob responsabilidade do colega, Beatrice exerce um papel fundamental na definição das estratégias do escritório.
Para construir a personagem, Sosanya conversou com advogadas que ocuparam cargos semelhantes, buscando compreender principalmente as experiências de mulheres em posições de poder tradicionalmente associadas aos homens.
“Conversamos sobre as trajetórias delas em termos de gênero, classe e raça, e sobre o que motiva alguém a se tornar advogado. Uma mulher com quem conversei, que havia ocupado posições semelhantes à de Beatrice, disse que sua motivação era vencer, independentemente do que escolhesse fazer na vida”, relatou.
A resposta chamou a atenção da atriz por contrariar expectativas frequentemente associadas ao comportamento feminino.
“A alegria vinha da competição e da vitória. Achei isso muito interessante, especialmente porque nem sempre é retratado como uma característica particularmente feminina. Mas é, absolutamente”, afirmou.
Na série, essa determinação também se manifesta na relação entre Beatrice e Serena, uma antiga protegida que deixou o Cathcarts & Sons após não conseguir se tornar sócia. Agora, em lados opostos, as duas carregam uma história de proximidade que acrescenta outra camada à rivalidade entre os escritórios.
Para Sosanya, são essas relações que tornam a produção mais complexa do que uma simples disputa judicial.
“São os escritórios de advocacia colocados um contra o outro, com suas personalidades entrando em conflito tanto quanto os argumentos jurídicos. É realmente uma história sobre personagens”, explicou.
Humor ácido e personagens que adoramos odiar
Apesar da atmosfera de tensão, os atores ressaltaram que “Guerra” também encontra espaço para o humor, muitas vezes construído a partir da crueldade e das contradições de seus protagonistas.
Para Nina Sosanya, essa característica é fundamental para impedir que a narrativa se torne excessivamente técnica ou pesada.
“Sem humor, poderia parecer muito árido, e a vida não é assim. Às vezes, o humor é bastante sombrio, mas acrescenta textura. Isso vem da escrita de George e do elenco. Frequentemente procuramos leveza nas cenas mais sombrias”, afirmou.
A atriz também destacou a contribuição de colegas com experiência na comédia, como Miles Jupp e Nick Mohammed, para encontrar o ritmo adequado entre a tensão dramática e os momentos mais leves.
Jupp, por sua vez, considera que a combinação entre realismo, teatralidade e humor é um dos principais diferenciais da produção.
“Espero que tenha uma espécie de realismo, mesmo com toda a teatralidade. Ajuda muito o fato de haver piadas de verdade. Fiquei surpreso com o quanto ri durante a leitura coletiva do roteiro”, contou.
Assista ao trailer de “War”
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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por nicolybastos.

