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Solidão pode tirar até seis anos de vida saudável

Solidão pode tirar até seis anos de vida saudável

Um estudo apontou que cerca de metade dos adultos americanos sofrem de solidão, enquanto quase o mesmo percentual está socialmente isolado. A análise “A solidão pode roubar quase 6 anos de boa saúde”, divulgada pela revista científica Science Daily, no início de outubro, aponta que a solidão e o isolamento social são generalizados nos Estados Unidos.  

Além das consequências para a saúde, os problemas destacados pelo estudo continuam sendo negligenciados como questões urgentes de saúde pública. 

Os pesquisadores da Escola de Medicina Pública e Tropical Celia Scott Weatherhead da Universidade de Tulane tentaram quantificar esse impacto. Eles descobriram que a solidão e o isolamento social estavam associados à perda de quase seis anos de vida livre de transtornos mentais como depressão e ansiedade.  

A especialista destacou que a solidão pode afetar a saúde por dois caminhos que se reforçam: as alterações biológicas e as mudanças no comportamento. 

Como a solidão afeta o organismo? 

A psiquiatra Elaine Bida, ressalta que a solidão persistente pode colocar o organismo em um estado de alerta contínuo, como se a pessoa estivesse permanentemente diante de uma ameaça. 

“Esse processo pode provocar alterações na produção de cortisol, o hormônio relacionado ao estresse, além de favorecer processos inflamatórios e alterações no funcionamento do sistema imunológico. Com o tempo, essas mudanças podem contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas”, afirma a psiquiatra.  

Além disso, existe também um impacto sobre o comportamento.  

“Pessoas que se sentem solitárias podem dormir pior, praticar menos atividades físicas, alimentar-se de maneira inadequada e apresentar maior dificuldade para manter os cuidados com a própria saúde”, aponta.  

O estigma da solidão  

A solidão foi tratada por muito tempo como uma questão exclusivamente emocional. Hoje, ela também já é entendida como um comportamento que pode afetar o funcionamento do organismo, interferindo na resposta ao estresse, no sistema imunológico e na saúde cardiovascular. 

Segundo o estudo, aos 50 anos, pessoas que vivenciavam simultaneamente solidão e isolamento social apresentaram, em comparação àquelas que não vivenciavam nenhuma dessas condições: 

  • Homens: 5,8 anos a menos de vida livre de transtornos mentais e 1,7 ano a menos de vida livre das doenças físicas avaliadas. 
  • Mulheres: 3,7 anos a menos de vida livre de transtornos mentais e 2,4 anos a menos de vida livre das doenças físicas avaliadas. 

“Esses números não significam necessariamente viver menos, mas passar menos anos da vida sem desenvolver as doenças investigadas”, destaca Elaine.  

A condição é reversível? 

A especialista indica que a condição é reversível, tal qual os impactos. Porém, os resultados dependam de cada pessoa e das intervenções utilizadas. 

“Não basta simplesmente incentivar alguém a sair de casa ou frequentar ambientes movimentados. As intervenções psicológicas, especialmente aquelas que ajudam a modificar pensamentos negativos sobre si mesmo e sobre os relacionamentos, podem contribuir para reconstruir a confiança, fortalecer a autoestima e desenvolver habilidades sociais”, disse.  

Além disso, atividades físicas, participação comunitária e oportunidades de convivência também são importantes, sobretudo quando favorecem relações verdadeiramente significativas, aponta a psiquiatra.  

*Sob supervisão de Thiago Félix

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por anaclaracampos.

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anaclaracampos

Autor da publicação.

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