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Tempestade tropical Isaias ameaça Golfo do México como um furacão

Tempestade tropical Isaias ameaça Golfo do México como um furacão

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A Tempestade Tropical Isaias formou-se no sudoeste do Golfo na manhã desta quarta-feira (7) e está pronta para se “intensificar rapidamente” e transformar-se em um furacão perigoso, a caminho de atingir a costa norte do Golfo.

“Prevê-se uma intensificação rápida no próximo dia ou nos próximos dois dias”, informou o Centro Nacional de Furacões.

No momento, Isaias apresenta ventos sustentados de 40 milhas por hora (cerca de 64km/h) e está localizado a cerca de 600 milhas (aproximadamente 965 quilômetros) ao sul da foz do rio Mississippi.

Espera-se que a tempestade se desloque para leste, passando sobre a Península de Yucatán, no México, e depois faça uma curva acentuada para o norte, em direção à costa norte do Golfo, à medida que ganha força.

A tempestade poderá atingir o pico de intensidade como um furacão de categoria 2, com ventos de 177 km/h, na noite de quinta-feira (8) ou início da sexta-feira (9), antes de enfraquecer um pouco antes de tocar o solo como um furacão perigoso.

Avisos de furacão e de tempestade costeira, que alertam para ventos de 119 km/h ou mais e inundações costeiras com risco de vida em até 48 horas, provavelmente serão emitidos para partes da costa norte do Golfo do México nesta quarta-feira.

A partir de sexta-feira, Isaias trará chuvas torrenciais, ventos fortes e marés de tempestade para áreas que se estendem do sul da Louisiana até o Panhandle da Flórida.

A tempestade também poderá gerar vários tornados à medida que suas bandas de chuva castigarem a costa.

Este será o primeiro furacão do ano na bacia do Atlântico, encerrando um período de espera recorde associado aos efeitos de um El Niño que provavelmente atingiu intensidade recorde.

A trajetória exata da tempestade e sua intensidade ao se aproximar da costa ainda não estão definidas, mas qualquer pessoa ao longo da Costa do Golfo — da Louisiana até a região de Big Bend, na Flórida — deve acompanhar a previsão com atenção.

O governador da Flórida, Ron DeSantis, declarou estado de emergência em 25 condados na terça-feira (6), antes da chegada da tempestade, e instou os moradores a prepararem planos de emergência e a montarem kits de suprimentos para furacões.

Equipes estaduais de emergência estão posicionando geradores, combustível, alimentos, água e barreiras contra inundações nas áreas de Tallahassee e Santa Rosa para apoiar as operações de resposta.

Empresas de petróleo também estão adotando medidas preventivas no Golfo.

A Shell está retirando funcionários não essenciais de seis plataformas em alto-mar, enquanto a BP está retirando trabalhadores não essenciais e assegurando suas instalações offshore, informaram as empresas na terça-feira.

Incerteza da previsão

Esta tempestade está avançando por condições atmosféricas influenciadas pelo El Niño, as quais têm inibido significativamente a formação de sistemas tropicais ao longo da temporada de furacões no Atlântico até o momento.

As águas do Golfo estão com temperaturas recordes para esta época do ano, fornecendo bastante combustível, mas isso é apenas parte da equação.

O grande inimigo dos sistemas tropicais do Atlântico nesta temporada tem sido o cisalhamento do vento.

Esse fenômeno refere-se a ventos que sopram a velocidades e direções diferentes em diversos níveis da atmosfera.

O cisalhamento do vento pode despedaçar tempestades tropicais e furacões.

Este novo sistema está se beneficiando do baixo cisalhamento do vento na parte sul do Golfo, mas encontrará um cisalhamento mais intenso ao se aproximar da Costa do Golfo, ao norte, o que ameaça despedaçar a tempestade durante essa aproximação.

No entanto, a previsão é de que o sistema se desloque rapidamente, o que pode limitar sua exposição a esse cisalhamento mais forte.

Se a tempestade se movesse mais lentamente, poderia enfraquecer rapidamente ao permanecer em condições hostis.

A intensidade e a trajetória da tempestade também estão interligadas.

A circulação de uma tempestade mais forte estende-se a altitudes maiores na atmosfera, permitindo que os ventos nessas alturas a conduzam de maneira diferente de um sistema mais fraco.

Essa trajetória, por sua vez, determinará quanto tempo ela passará sobre águas quentes e a que nível de cisalhamento hostil estará exposta, definindo sua intensidade ao chegar à costa.

Independentemente do desfecho final, chuvas fortes são uma preocupação para a Costa do Golfo e outras áreas do Sul no final desta semana.

A tempestade pode trazer entre 3 e 6 polegadas (aproximadamente 75 a 150 mm) de chuva, com volumes localizados chegando a 10 polegadas (cerca 250 mm) em alguns pontos, abrangendo desde o sul da Louisiana até o Panhandle e a região de Big Bend, na Flórida.

As chuvas intensas podem começar a se intensificar ao longo da costa já na sexta-feira (9) e continuar a atingir a região enquanto o sistema avança para o interior durante o fim de semana.

Como este ano já demonstrou, não é preciso um sistema com força de furacão para causar impactos significativos, especialmente em um mundo em aquecimento que está tornando os sistemas tropicais mais chuvosos.

As tempestades tropicais Arthur e Edouard não duraram muito, mas suas chuvas intensas provocaram inundações repentinas significativas e exigiram operações de resgate na água.

Partes da Louisiana e do Mississippi sofreram o maior impacto das inundações causadas por Arthur, enquanto Edouard despejou mais de 500 milímetros de chuva no leste do Texas.

Determinar com precisão a localização e a gravidade de eventuais inundações por maré de tempestade, ventos fortes e tornados ao longo da costa norte do Golfo é ainda mais difícil com tanta antecedência, pois é necessário saber qual será a intensidade da tempestade e qual será exatamente a sua trajetória.

A previsão é que esses impactos possam começar a ser sentidos a partir de sexta-feira ou no início de sábado (10).

O que é típico em outubro e novembro

Normalmente, quatro tempestades nomeadas — ou seja, com intensidade de tempestade tropical ou superior — formam-se em outubro e novembro; no entanto, algumas temporadas de furacões podem ter um final mais intenso, enquanto outras perdem força.

Os últimos anos ilustram essa oscilação de um ano para o outro. Sete tempestades se formaram durante outubro e novembro de 2024, mas apenas duas se formaram no mesmo período em 2023.

Tempestades de fim de temporada tendem a se formar mais perto dos Estados Unidos — inclusive no Golfo, no Caribe e ao largo da costa Sudeste —, o que aumenta a probabilidade de atingirem o continente.

Embora geralmente ocorram em menor número, essas tempestades ainda podem ser destrutivas.

No ano passado, o furacão Melissa, de categoria 5, devastou a Jamaica na última semana de outubro.

O furacão Michael atingiu com força a região de Panhandle, na Flórida, em 10 de outubro de 2018, tornando-se o furacão de categoria 5 mais recente a tocar o solo dos EUA de que se tem registro.

E o furacão Sandy talvez seja o mais notório de todos: ele se transformou em uma supertempestade híbrida no final de outubro de 2012 e castigou a Costa Leste.

A influência de um “Super El Niño” na bacia do Atlântico torna menos provável a repetição, neste ano, de furacões notórios ocorridos no final da temporada.

Os ventos gerados por esse fenômeno — capazes de inibir a formação de tempestades — são a principal razão pela qual esta temporada pode passar sem nenhum furacão, algo inédito desde o início dos registros confiáveis.

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Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por laurasantana.

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laurasantana

Autor da publicação.

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