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Um desmoronamento há 16 mil anos ‘congelou’ uma casa da Idade da Pedra — e as 4.600 peças achadas lá dentro impressionam

Um desmoronamento há 16 mil anos ‘congelou’ uma casa da Idade da Pedra — e as 4.600 peças achadas lá dentro impressionam

Uma fogueira, ferramentas de pedra e objetos de uso pessoal permaneceram preservados por milhares de anos no interior de uma caverna no norte da Espanha. Os vestígios pertencem a uma moradia construída há cerca de 16.800 anos, quando grupos de caçadores-coletores ocupavam a região durante a Idade da Pedra.

O abrigo foi identificado na caverna de La Garma, na comunidade autônoma da Cantábria, onde um desmoronamento natural bloqueou um antigo acesso à galeria inferior. O isolamento ajudou a conservar parte do espaço utilizado pelos antigos moradores, incluindo a disposição dos objetos deixados no chão.

Os resultados da investigação foram apresentados pela Universidade de Cantábria em dezembro de 2023. Desde então, o trabalho continuou e, em setembro de 2026, a instituição divulgou avanços nas técnicas utilizadas para estudar o local sem danificar os vestígios arqueológicos.

Como era a moradia encontrada na caverna?

O abrigo tinha formato oval e ocupava aproximadamente cinco metros quadrados. Sua estrutura era delimitada por pedras e estalagmites, que ajudavam a sustentar uma cobertura de madeira e peles de animais apoiada na parede da caverna.

No centro havia uma pequena fogueira, enquanto os vestígios encontrados ao redor indicam atividades como o preparo de animais caçados, a fabricação de ferramentas e o trabalho com peles. Entre os 4.614 vestígios documentados, estavam ossos de cervos, cavalos e bisões, cerca de 600 peças de sílex, rocha utilizada na fabricação de ferramentas, além de agulhas, instrumentos de caça e conchas marinhas.

Um dos achados mais curiosos foi um osso de uro, espécie extinta de bovino selvagem, com gravuras do próprio animal e de um rosto humano. Também foram encontrados pingentes, indicando que os antigos moradores utilizavam adornos pessoais.

Preservação de vestígios por milhares de anos

O bloqueio de um antigo acesso à galeria inferior de La Garma limitou a circulação de pessoas e animais, contribuindo para que os materiais permanecessem protegidos de alterações ao longo do tempo.

Desde a descoberta da galeria, em 1995, pesquisadores utilizam métodos especiais para investigar o local. Entre eles estão fotografias de alta resolução e escaneamentos em três dimensões, que permitem registrar a posição dos objetos sem precisar removê-los.

Em setembro de 2026, a Universidade de Cantábria informou que essas técnicas possibilitaram documentar mais de 4.600 vestígios da estrutura habitacional em 18 meses de trabalho.

O complexo de La Garma integra o Patrimônio Mundial da Unesco e reúne pinturas rupestres e registros de diferentes períodos da pré-história. Mais de 213 mil peças já foram inventariadas no sítio arqueológico, que continua sendo investigado por especialistas.


Conteúdo reproduzido originalmente em: CNN por alessandrasilva.

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alessandrasilva

Autor da publicação.

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