A ex-deputada federal Mara Rocha (Republicanos)deixou a condição de coadjuvante para assumir o papel de franca-atiradora na disputa pelo Senado no Acre. Segundo a pesquisa Quaest/Rede Amazônica, ela alcançou 12% das intenções de voto e aparece em empate técnico com o senador Márcio Bittar (PL), que tem 14%, e com o ex-governador Jorge Viana (PT), também com 12%.
O cenário acende o sinal de alerta nas campanhas dos dois veteranos. Mara cresce sem carregar o mesmo desgaste dos adversários e, entre os três, apresenta a menor rejeição — uma vantagem importante numa eleição em que o eleitor poderá escolher dois candidatos ao Senado. Nenhum dos três alcançaria Gladson Cameli (União Progressista), com 19%, diz a pesquisa, se as eleições fossem hoje.
Também joga a favor dela o bolsonarismo mais discreto. Enquanto Márcio Bittar transforma sua propaganda num culto repetitivo e quase fanático a Jair Bolsonaro, Mara preserva a identidade conservadora sem parecer politicamente dependente do ex-presidente. Num Acre majoritariamente bolsonarista, essa diferença pode ser decisiva para conquistar o eleitor de direita cansado do exagero e da ausência de propostas. E Mara tem o que mostrar, considerando sua produção legislativa enquanto deputada federal campeã de votos em 2018.
Do outro lado, Jorge Viana enfrenta o velho e ainda poderoso antipetismo acreano. Embora mantenha um eleitorado fiel, o petista permanece cercado por um teto político difícil de romper e pode perder terreno justamente para uma candidata conservadora com rejeição menor, colada no senador Alan Rick, líder nas pesquisa para o governo.
Mara Rocha, portanto, já não pode ser tratada como simples figurante. Ela tem espaço para crescer, recolher votos dos indecisos e atrair conservadores que rejeitam o fanatismo de Bittar. Se mantiver a ascensão, poderá desbancar dois ícones da política acreana e produzir uma das maiores surpresas da eleição para o Senado.

