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Michelle Melo aposta no “cuidado” como marca da reeleição e leva às ruas legado na saúde, proteção às mulheres e inclusão

Médica transformou a experiência na saúde pública em principal identidade política e apresenta aos eleitores leis, fiscalização e projetos voltados às famílias atípicas, crianças e mulheres

A deputada estadual Michelle Melo (União Brasil) entrou na campanha pela reeleição à Assembleia Legislativa do Acre procurando manter uma linha bastante definida: apresentar o primeiro mandato como uma extensão de sua trajetória profissional na medicina e sustentar que a política pode ampliar a capacidade de cuidar das pessoas.

É essa mensagem que vem aparecendo nas agendas de rua, encontros nos bairros e reuniões com apoiadores. Na última quinta-feira (27), por exemplo, durante encontro no bairro da Paz, em Rio Branco, Michelle resumiu seu argumento eleitoral ao afirmar que seu projeto político está associado ao “cuidado” e que a experiência como médica lhe mostrou que, através da política, seria possível alcançar um número maior de pessoas.

A mesma estratégia aparece nas visitas ao interior. A parlamentar iniciou a caminhada eleitoral passando pelo Juruá, reforçando principalmente três bandeiras que atravessaram seu mandato: saúde pública, defesa das mulheres e atenção às famílias atípicas.

Da medicina para a política

Michelle chegou à Assembleia depois de uma passagem eleitoralmente expressiva pela Câmara de Rio Branco. Médica de formação, foi eleita vereadora em 2020 como a candidata mais votada da capital e posteriormente conquistou uma cadeira de deputada estadual. Na Aleac, ocupou espaços relevantes, incluindo a liderança do governo e a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania.

Agora, diante do eleitor, procura transformar essa trajetória em prestação de contas.

A saúde continua sendo seu terreno político mais natural. Seu mandato adotou a fiscalização das unidades e serviços públicos como uma de suas vitrines, ao mesmo tempo em que desenvolveu iniciativas como o Gabinete Itinerante, destinado a aproximar os atendimentos das comunidades, e o Ver para Aprender, voltado à saúde visual de crianças da rede pública.

Documentos oficiais do governo também registram emendas de Michelle destinadas a atendimento médico itinerante em comunidades carentes e a projetos de proteção e assistência às mulheres vítimas de violência.

Mulheres: uma das marcas mais fortes

A pauta feminina tornou-se outro eixo importante do mandato.

Entre as medidas de maior peso político está a Lei nº 4.577/2025, de autoria da parlamentar, que impede a nomeação, para cargos comissionados na administração estadual, de pessoas condenadas por violência doméstica com base na Lei Maria da Penha.

Michelle também levou essa discussão para fora do plenário.

Em 2026, promoveu a campanha D’Elas, reunindo mulheres para debates sobre saúde, violência, empregabilidade, liderança, autonomia emocional e independência financeira. A proposta apresentada pela deputada foi tratar essas questões não apenas como discurso de valorização feminina, mas como matéria de política pública.

Crianças e adolescentes

Outro conjunto concreto de sua produção legislativa está relacionado à infância.

A Lei nº 4.145/2023 estabeleceu prioridade na tramitação das investigações envolvendo crimes praticados contra crianças e adolescentes. Já a Lei nº 4.141/2023 criou programa de prevenção à violência nas escolas públicas e privadas do Acre.

A parlamentar também conseguiu transformar em lei uma proposta estabelecendo a presença de profissional capacitado em primeiros socorros nas escolas estaduais — Lei nº 4.623/2025.

São realizações que ajudam Michelle a apresentar uma campanha apoiada não somente em promessas para um eventual segundo mandato, mas em matérias que passaram efetivamente pelo Legislativo.

Famílias atípicas e pessoas com deficiência

A defesa das famílias atípicas ganhou espaço considerável no mandato.

Entre as propostas está a redução da jornada de trabalho para servidores públicos responsáveis por filhos ou dependentes com deficiência, permitindo maior disponibilidade para acompanhamento de tratamentos e necessidades específicas.

No discurso eleitoral, essa atuação aparece associada à defesa de terapias, inclusão e atendimento especializado para pessoas com deficiência e suas famílias.

Doença falciforme também virou política estadual

Na saúde, uma conquista particularmente objetiva foi a sanção da Lei nº 4.608/2025, que instituiu a Política Estadual de Atenção Integral às Pessoas com Doença Falciforme.

A legislação nasceu de projeto apresentado por Michelle e estabeleceu uma política específica para diagnóstico e atendimento desses pacientes dentro da estrutura estadual.

Seu mandato ainda acumulou propostas em áreas diferentes, como o Programa Câmbio Verde, que associa sustentabilidade e ações sociais, além de outras matérias relacionadas à proteção social e aos direitos humanos.

Interior e isolamento

Há também uma bandeira menos conhecida, mas relevante para moradores das cidades isoladas.

Michelle foi relatora do Integra Acre, programa que prevê subsídio de 50% nas passagens aéreas para moradores de municípios sem ligação rodoviária permanente, como Jordão, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Santa Rosa do Purus.

Em 2026, apresentou ainda proposta para criação de um programa estadual destinado a auxiliar no traslado de acreanos que morrem fora do Estado, questão especialmente sensível para famílias sem condições financeiras de custear o repatriamento.

O que Michelle está dizendo ao eleitor

É justamente a soma dessas ações que explica o discurso adotado nesta campanha.

Michelle não procura se apresentar como parlamentar de uma única causa. Sua estratégia é colocar a saúde como origem, o cuidado como conceito político e, a partir deles, conectar diferentes segmentos: mulheres, crianças, pessoas com deficiência, famílias atípicas e moradores do interior.

Nas reuniões recentes, também insiste na política de proximidade. Em encontro que reuniu centenas de pessoas na Baixada da Sobral, uma de suas principais bases eleitorais em Rio Branco, voltou a defender presença permanente nos bairros, contato direto com as famílias e escuta das demandas populares.

Há, naturalmente, uma diferença entre aquilo que uma candidatura apresenta como legado e a avaliação que o eleitor fará sobre os efeitos concretos dessas medidas. Leis aprovadas não significam automaticamente políticas plenamente executadas, da mesma maneira que fiscalização parlamentar precisa ser medida também pelos resultados produzidos sobre o Executivo.

Esse será o julgamento das urnas.

Mas, objetivamente, Michelle Melo chega à disputa pela renovação do mandato com algo concreto para colocar sobre a mesa: uma produção legislativa identificável e um conjunto de bandeiras relativamente coerente com a profissão e com o discurso que a levaram à política.

Sua campanha tenta agora convencer o eleitor de que o próximo mandato deve ser uma continuação dessa trajetória — enquanto caberá ao acreano decidir se as entregas realizadas até aqui são suficientes para lhe conceder mais quatro anos na Assembleia Legislativa.

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REDAÇÃO

Autor da publicação.