No jornalismo, independência não se compra. Conquista-se. E perde-se no exato momento em que a proximidade com o poder deixa de ser institucional para se tornar conveniente.
Há quem tenha passado anos lustrando as botas de prefeitos e agentes públicos até descobrir que isso também podia render patrimônio. Hoje ostenta a condição de acionista majoritário de um veículo de comunicação, não exatamente por talento empresarial, mas sob a sombra de relatos que já ultrapassaram os bastidores e chegaram à delegacia.
As acusações, feitas pela ex-companheira em procedimento policial, descrevem uma rotina que, se comprovada, é devastadora: encontros em locais e horários marcados, supostos malotes de dinheiro, relações íntimas com o poder e um esquema que teria funcionado com sucesso nas eleições passadas. O caso pode deixar de ser apenas uma queixa-crime para ganhar desdobramentos ainda mais sérios.
Enquanto isso, o jornal permanece registrado em nome de um familiar de primeiro grau, talvez por mera coincidência. O discurso, porém, segue recheado de arrogância, prepotência e ataques a terceiros.
Quem tem o telhado de vidro mais frágil da cidade faria bem em economizar pedras. Principalmente quando aponta o dedo para pessoas investigadas ou processadas pelos mesmos fatos que agora rondam sua própria porta. Antes de posar de paladino da moralidade, convém responder às perguntas que a sociedade começa a fazer.
Em tempo: informações extraídas de um Boletim Policial sob segredo, mas o sigilo não é tão sigiloso como se pensa. Na cidade do distinto personagem não se fala noutra coisa.

