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Associação Acreana de Advogados acusa presidente da OAB-AC por abuso de influência na campanha do sogro Jorge Viana ao Senado

O que há algum tempo circulava nos bastidores da advocacia e da política acreana ganhou contornos públicos nesta sexta-feira, 4. A Associação Acreana dos Advogados (ASAD) divulgou nota de repúdio contra a conduta do presidente da OAB – Seccional Acre, Rodrigo Aiache, e colocou no centro do debate uma questão delicada: a suposta utilização da influência institucional da Ordem em benefício da candidatura de seu sogro, Jorge Viana, ao Senado.

Segundo a ASAD, Aiache teria participado de uma reunião com advogados, incluindo conselheiros seccionais, presidentes de comissões e integrantes da própria Diretoria da OAB/AC, na qual teria sido buscado apoio político à candidatura de Jorge Viana nas eleições de 2026.

A manifestação transforma em discussão aberta aquilo que, segundo relatos de bastidores, já vinha provocando comentários no meio jurídico acreano: até onde termina a atuação pessoal e familiar de Rodrigo Aiache e onde começa a influência decorrente da presidência de uma das instituições mais importantes da sociedade civil?

O ponto sensível não está no direito de Aiache possuir preferência política. Como qualquer cidadão, ele pode votar, apoiar candidatos e participar do processo eleitoral. O questionamento levantado pela ASAD é outro: se a estrutura de relações construída a partir da OAB/AC estaria sendo aproximada de um projeto eleitoral diretamente ligado à sua família.

Jorge Viana, candidato ao Senado, é sogro do presidente da Ordem no Acre. Essa relação familiar, por si só, não representa irregularidade. Mas ganha dimensão política quando uma entidade representativa de advogados afirma publicamente que dirigentes, conselheiros e integrantes de comissões da OAB teriam sido reunidos em torno da candidatura.

Na nota, a ASAD demonstra preocupação justamente com a necessidade de preservar a independência político-partidária da Ordem e evitar que o peso institucional da advocacia acreana seja confundido com interesses eleitorais.

A denúncia deve provocar repercussão principalmente entre os próprios advogados. A OAB não representa apenas seus dirigentes. Reúne profissionais das mais diferentes correntes ideológicas, partidárias e eleitorais, razão pela qual qualquer sinal de aparelhamento ou direcionamento político tende a gerar reação.

Agora, com a manifestação pública da ASAD, aquilo que já não seria segredo nos bastidores deixa definitivamente os corredores e chega ao debate público.

Cabe ao presidente Rodrigo Aiache apresentar sua versão sobre as acusações e esclarecer em que circunstâncias ocorreu a reunião mencionada pela associação, quem participou dela e, sobretudo, se o encontro teve caráter pessoal ou alguma vinculação, direta ou indireta, com funções e estruturas da OAB/AC.

Em plena campanha eleitoral, a resposta interessa não apenas à advocacia.

Interessa à sociedade acreana.

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REDAÇÃO

Autor da publicação.