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Bolsonarista fanático e covarde, comissionado do Governo do Acre chama beneficiários do bolsa família de “vagabundos” desocupados

Ao chamar beneficiários do Bolsa Família de “vagabundos que não fazem nada”, comissionado do Governo do Acre, Haroldo Viga, protagoniza episódio de desprezo social que merece repúdio. A pobreza não é crime, a maternidade não é motivo de humilhação e o serviço público não pode ser confundido com licença para destilar preconceito. Viga é fiscal no Instituto de Defesa Agroflorestal (Idaf).

Há manifestações que revelam muito mais sobre o caráter de um discurso do que sobre aqueles a quem ele pretende atingir. O comentário de Haroldo Viga, ocupante de cargo comissionado no Governo do Acre, é um desses episódios que, pela gravidade, não podem passar despercebidos. E merecem providências da justiça e do seu empregador. 

Ataca de forma generalizada e também atinge milhares de mães e ultrapassa os limites da divergência política e mergulhou no terreno pantanoso do preconceito social, da desumanização e da crueldade contra mulheres que enfrentam diariamente a pobreza.

É uma declaração moralmente repugnante.

O episódio ocorreu em resposta ao um vídeo em que dois personagens internautas (Veja abaixo)  discutem como seria, na prática, aremuneração por hora trabalhada, proposta pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. Diante do argumento de que esse modelo poderia comprometer a renda necessária ao sustento das famílias, Haroldo preferiu atacar mulheres pobres ao invés de enfrentar o mérito da discussão.

É o recurso mais rasteiro de quem abandona o debate de ideias: atacar os vulneráveis.

Chamar de vagabunda uma mãe que depende de transferência de renda para alimentar os filhos não é coragem política. É covardia social.

É fácil insultar mulheres que acordam sem saber se terão comida suficiente até o fim do mês. É fácil ridicularizar quem precisa escolher entre comprar um remédio e colocar alimento na mesa. É fácil, sobretudo, quando se desfruta da segurança de um contracheque custeado pelo contribuinte.

O que não é fácil é experimentar a realidade dessas mães..

O Bolsa Família não é um prêmio à ociosidade. É uma política pública de proteção social destinada a famílias em situação de pobreza. Seus beneficiários não perdem a dignidade nem o direito ao respeito por necessitarem do amparo do Estado.

A tentativa de transformar a pobreza em defeito moral é uma das manifestações mais perversas do preconceito de classe.

E há uma contradição especialmente constrangedora neste episódio.

Quem ocupa um cargo remunerado com dinheiro público deveria ser o primeiro a respeitar os cidadãos que sustentam o Estado — inclusive aqueles que, mesmo pobres, pagam impostos sobre praticamente tudo o que consomem..

Não se pode esperar que a sociedade aceite silenciosamente a humilhação de mulheres vulneráveis como se fosse uma opinião política qualquer.

O episódio também expõe uma face preocupante da radicalização política: a substituição do argumento pelo insulto, do debate pela hostilidade e da divergência pelo desprezo ao ser humano...

Há ainda uma questão administrativa que merece esclarecimento. Segundo os relatos apresentados, Viga também costuma participar de discussões político-partidárias nas redes sociais durante o horário de expediente. Se confirmada, essa circunstância exige explicações sobre o cumprimento de suas atribuições funcionais e o eventual uso do tempo remunerado pelo poder público.

A condição de comissionado não elimina direitos políticos, mas tampouco dispensa o servidor de suas obrigações profissionais.

Da mesma forma, eventuais acusações de participação em estruturas organizadas de militância digital precisam ser demonstradas, e não simplesmente presumidas. A gravidade de uma declaração preconceituosa já é suficiente para justificar a cobrança pública de responsabilidade.

O Governo do Acre precisa dizer se considera compatível com os valores do serviço público a conduta atribuída a alguém que integra seus quadros.

Não se exige perseguição política. Exige-se responsabilidade institucional, apuração dos fatos e respeito à população.

O silêncio diante de uma manifestação dessa natureza pode transmitir uma mensagem profundamente equivocada às milhares de famílias que dependem de políticas sociais para sobreviver.

A pobreza não pode ser convertida em motivo de escárnio por quem recebe remuneração do Estado.

As mães acreanas merecem políticas públicas, oportunidades, proteção, emprego e dignidade. Não precisam de sermões ofensivos de quem desconhece, ou prefere ignorar, o peso da fome e da exclusão.

Haroldo Viga pode ter suas convicções políticas. O que não tem é autoridade moral para diminuir a dignidade de uma mãe por causa de sua condição econômica.

A crítica é legítima. O preconceito é condenável. E a humilhação dos mais pobres jamais será demonstração de superioridade intelectual ou política.

Ao contrário, revela a miséria de um discurso que, incapaz de enfrentar argumentos, escolhe agredir quem tem menos condições de se defender.

Porque vagabundagem não se presume pela condição de pobreza. E nenhuma mãe deve ser obrigada a suportar humilhações para ter direito ao pão de seus filhos.

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REDAÇÃO

Autor da publicação.

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