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DA GLÓRIA NOS GRAMADOS ÀS RUAS: a luta do ex-craque do Corinthias e Vasco contra o crack

Ex-atacante que vestiu camisas tradicionais do futebol brasileiro vive em situação de rua, enfrenta a dependência química e tenta sobreviver em Pirituba, bairro onde nasceu

Régis Fernandes da Silva já enfrentou zagueiros, estádios lotados, pressão de torcida e a cobrança impiedosa do futebol profissional. Aos 49 anos, porém, o ex-atacante conhecido como Régis Pitbull disputa uma partida muito mais dura. O adversário não usa camisa, não entra em campo e não respeita o apito final: a dependência química, especialmente o crack.

O jogador que passou por clubes como Ponte Preta, Corinthians e Vasco hoje vive uma realidade brutal nas ruas de Pirituba, na Zona Norte de São Paulo, bairro onde nasceu e cresceu.

Há cerca de dois meses, segundo reportagem publicada pelo ge, Régis passou a viver entre ruas, becos e uma praça, onde improvisou abrigo com lonas, cobertores e papelões.

É uma imagem difícil de associar ao atleta que um dia viveu do futebol.

O uniforme deu lugar às poucas roupas disponíveis. Os vestiários ficaram no passado. O banho deixou de fazer parte da rotina. Em vez das refeições preparadas para um jogador profissional, há dias em que depende da solidariedade de comerciantes para conseguir comer.

O adversário que acompanha Régis há décadas

A relação de Régis com as drogas não começou agora. Durante a carreira, ele chegou a ser suspenso duas vezes por doping relacionado ao uso de maconha. Voltou aos gramados, tentou reconstruir a trajetória, mas a dependência continuou avançando.

Com o passar dos anos, drogas mais destrutivas entraram em sua vida.

Hoje, o crack faz parte dessa batalha.

A dependência ajudou a desmontar relações pessoais, estabilidade financeira e a rotina do antigo jogador. O apartamento que ainda possui corre risco de ser perdido por dívidas de condomínio e IPTU.

Em 2025, outro episódio revelou o grau de descontrole em que sua vida havia mergulhado: Régis foi preso após agredir o síndico do prédio onde morava e posteriormente teve de cumprir medidas determinadas pela Justiça.

Agora, a rua virou endereço.

Café, bicicleta e sobrevivência

A rotina atual parece pertencer a outro personagem.

Pela manhã, Régis costuma procurar um restaurante do bairro onde funcionários oferecem comida e café. O estabelecimento também lhe permite usar o banheiro e carregar o telefone celular.

A bicicleta azul tornou-se um dos poucos patrimônios de sua rotina. Com ela, circula pelo bairro onde ainda é reconhecido por moradores, amigos e pessoas que acompanharam sua carreira.

É também pelas ruas de Pirituba que tenta sobreviver aos dias de dependência e aos raros períodos de sobriedade.

O contraste é cruel.

O homem que antes corria atrás da bola hoje pedala pelas ruas tentando encontrar algum sentido entre a dependência, a fome e as lembranças do futebol.

Ainda existe quem queira ajudar

Apesar do isolamento, Régis não está completamente esquecido.

Ex-companheiros, conhecidos e torcedores ainda procuram maneiras de ajudá-lo. O próprio ex-jogador contou que integrantes da torcida do Corinthians foram procurá-lo.

É talvez aí que permaneça uma pequena possibilidade de virada.

Porque dependência química não se derrota com discursos, humilhação ou simples força de vontade. É uma condição que exige tratamento, acompanhamento profissional, estrutura social e, sobretudo, disposição do próprio paciente para aderir ao cuidado.

Régis Pitbull ainda está vivo.

E enquanto estiver vivo, a partida não terminou.

O futebol brasileiro conhece histórias de jogadores que venceram campeonatos, decidiram partidas e deram a volta por cima depois de derrotas aparentemente definitivas. Para Régis, porém, nenhum eventual troféu futuro será maior do que conseguir recuperar a própria vida.

Aos 49 anos, ele não precisa mais marcar gols.

Precisa vencer o crack.

E talvez essa seja a partida mais importante que Régis Pitbull já disputou.

Fonte: GE

R

REDAÇÃO

Autor da publicação.