Datafolha cravou Mailza Assis reeleita quando 63% das urnas apuradas; AC escreve capítulo histórico das mulheres no poder no Brasil
Em um país onde as mulheres são maioria do eleitorado, mas continuam minoria nos governos estaduais, eventual vitória de Mailza Assis coloca o Acre entre os estados que elegeram uma mulher para comandar o Executivo.
O Instituto Datafolha cravou a vitória neste domingo, 25 de outubro, da governadora Mailza Assis – um marco histórico para a participação feminina na política acreana – quando pouco mais de 63% das urnas haviam sido apuradas. Naquele momento, a governadora tinha o dobro do percentual de votos sobre o senador Alan Rick (Republicanos).
Mailza Assis (PP) se torna a primeira mulher eleita diretamente para comandar o Governo do Acre como titular de uma chapa majoritária.
O significado ultrapassa as fronteiras do estado. No primeiro turno das eleições de 2026, realizado em 4 de outubro, apenas uma mulher conquistou um governo estadual: Raquel Lyra, reeleita em Pernambuco. Das 34 candidatas aos governos estaduais, somente ela venceu naquela etapa.
O contraste nacional é expressivo. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, as mulheres representam aproximadamente 52,8% do eleitorado brasileiro. Apesar disso, seguem sub-representadas nos espaços de decisão política.
Além de Mailza, outras três mulheres disputaram o segundo turno para chefiar governos: Celina Leão, no Distrito Federal (ELEITA); Professora Dorinha, no Tocantins; e Professora Maria do Carmo, no Amazonas (derrotada). No Acre, o episódio também tem importância histórica. Iolanda Fleming já havia governado o estado entre 1986 e 1987, após assumir o cargo em decorrência da renúncia de Nabor Júnior. Mailza chegou ao comando do Executivo em abril de 2026, após a saída de Gladson Cameli. Uma vitória nas urnas daria a ela um mandato conquistado diretamente para o cargo de governadora.
Há ainda uma contradição particularmente significativa na política acreana: enquanto uma mulher disputava a permanência no posto mais alto do Executivo, nenhuma candidata conquistou uma das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa nas eleições deste ano.
O Acre inicia 2027 com uma mulher no comando do Palácio Rio Branco e uma Assembleia Legislativa inteiramente masculina.
Esse contraste evidencia que a presença feminina no poder não se resume à ocupação de um cargo. Envolve também o acesso das mulheres às candidaturas, aos recursos eleitorais, aos partidos e às instâncias onde são tomadas as decisões públicas.
O resultado também estabeleceu que 2026 entrou para a história política estadual como o ano em que, pela primeira vez, uma mulher conquistou diretamente o mandato de governadora.
Num Brasil em que as mulheres são maioria entre os eleitores, mas ainda minoria entre os governantes, o desfecho da eleição acreana teve significado além da disputa entre Mailza Assis e Alan Rick.
A reeleição de Mailza Assis (PP), confirmada neste domingo, 25 de outubro, encerra uma campanha marcada por mudanças no cenário eleitoral, articulações…