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Debilitado pela saúde, Dom Joaquim deixa Diocese de Rio Branco, se despede do Acre após 13 anos e retorna ao Paraná

O tempo, a doença e as limitações do corpo encerraram, antes do previsto, uma das mais longas missões pastorais da Igreja Católica no Acre. Aos 72 anos, enfrentando sérios problemas de saúde, Dom Joaquim Pertinez já não é mais o bispo da Diocese de Rio Branco.

A decisão foi oficializada pelo Vaticano nesta quarta-feira (1º), ao tornar pública a aceitação, pelo Papa Leão XIV, do pedido de renúncia apresentado pelo próprio religioso. Embora a decisão papal tenha sido assinada no último dia 27 de junho, somente hoje foi divulgada simultaneamente pelo Vaticano, pela Nunciatura Apostólica no Brasil e pela Diocese de Rio Branco.

Por trás do ato administrativo está uma realidade marcada pelo desgaste físico. OSeringal apurou que Dom Joaquim enfrenta problemas cardíacos, além de um quadro de baixa imunidade que teria se agravado ao longo dos anos em razão das condições climáticas da Amazônia. A fragilidade da saúde teria pesado na decisão de interromper, quase três anos antes do previsto, sua missão episcopal no Acre.

O desejo do bispo, segundo fontes ligadas à Igreja, é retornar ao Paraná, seu estado natal, para permanecer mais próximo da família e receber acompanhamento médico, encerrando um ciclo iniciado em 2013, quando foi enviado à Diocese de Rio Branco pelo então Papa Francisco.

Em nota, a Diocese confirmou que a renúncia partiu do próprio Dom Joaquim, por meio de correspondência encaminhada diretamente ao Papa Leão XIV. O Código de Direito Canônico prevê que os bispos apresentem renúncia aos 75 anos, mas, em situações excepcionais, como problemas de saúde, ela pode ser aceita antecipadamente, como ocorreu neste caso.

A Diocese prepara para esta quinta-feira (2) uma coletiva de imprensa na qual o próprio Dom Joaquim deverá falar, pela primeira vez, sobre os motivos que o levaram a tomar a difícil decisão de deixar o governo pastoral da Igreja acreana.

Com a aceitação da renúncia, a Sé Episcopal de Rio Branco passa a ser considerada “vacante”. Até que o Vaticano nomeie um novo bispo, o Papa designou Dom Flávio Giovenale, arcebispo metropolitano de Santarém, como administrador apostólico da Diocese.

A despedida de Dom Joaquim encerra uma trajetória de 13 anos marcada por uma presença discreta, mas constante, junto às comunidades católicas do Acre. Natural do Paraná, ele conduziu a Diocese em momentos desafiadores, acompanhando enchentes históricas, fortalecendo ações sociais, promovendo o diálogo com os povos da floresta e incentivando iniciativas pastorais em uma das regiões mais distantes do país.

A Diocese de Rio Branco abrange, além da capital, os municípios de Bujari, Porto Acre, Senador Guiomard, Capixaba, Plácido de Castro, Acrelândia, Epitaciolândia e Brasileia.

Até o momento, a Igreja ainda não informou quando será celebrada a missa de despedida de Dom Joaquim. O adeus, no entanto, já começou. E chega envolto pela tristeza de uma partida motivada não pelo fim da vocação, mas pelos limites que a saúde impôs a quem dedicou mais de uma década de sua vida ao povo acreano.

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REDAÇÃO

Autor da publicação.